quarta-feira, agosto 18, 2004

Companhia das Lezírias Fernão Pires 2003
Feminino e intensamente adocicado. Muito floral e colorido. Delicodoce. Não fora este um blog sério e dir-se-ia que este é um "vinho de gajas".

terça-feira, agosto 17, 2004

Comparativo Txakoli
Evidentemente, todos eles vinhos brancos, produzidos no País Basco Espanhol.
Sónia, a simpática balconista da loja de produtos regionais Basendere, em Bilbao, preferia o Gorrondona.

Basigo´ko Basetxea
10,5º. Produzido em Basigo de Bakio, Bilbao (D.O. Biskaiko Txakolina).
Mais floral que frutado e fresco. Um pico de gás, quase imperceptível. Densidade de açúcar certa, que o torna menos leviano que outros.

Xarmant
11,5º. Produzido em Alava (D.O. Arabako Txakolina).
A garrafa tem uma decoração exuberante e criativa, condizente com o sabor celta, a maçãs de casca verde, muito maduras. Como tem muita polpa, este vinho não é fresco. Vai bem com tapas do mar (de peixe, mariscos ou crustáceos).

Gorrondona
11,5º. Produzido em Bakio, Bilbao (D.O. Biskaiko Txakolina).
Fresco e liso. Suave e delicado, podendo ser cosmopolita. Simples e agradável. Mas nada mais.

segunda-feira, agosto 16, 2004

La Trappe Quadrupel
Marcadamente ambrée, com espuma persistente, esta cerveja belga, produzida na fronteiriça abadia holandesa de Koningshoeven, tem 10º. É robusta e corpulenta, como os monges que a fazem. Apesar disso, é suave e delicada (talvez mesmo insidiosa…) e o teor alcoólico só se nota depois.

quinta-feira, agosto 12, 2004

Castillo de Paniza 2003
Tinto de Cariñena, com 13 graus. É jovem e irrequieto, com travo muito amargo e adstringente, a sugerir avelãs e fruta verde.

Coto Haias, 2003
Outro tinto moderno, de Campo de Borja, também com 13 graus. Menos sofisticado e carnudo, sabe a fruta vermelha.

Castillo de Soldepeñas
Um Valdepeñas de self-service de autoestrada. Nem tem data. Adstringente como a casca de um melão. Apesar disso, equilibrado e bem feito, sem defeitos, mas também sem grandes virtudes. Fresquinho, foi agradável.

quinta-feira, agosto 05, 2004

E.A Tinto 2002
Regional alentejano, da Fundação Eugénio de Almeida. Frescura e juventude. Predomínio grande do sabor a uvas. Quente como a terra onde foi colhido. Adstringência muito presente, mas certa para uma refeição de pratos tradicionais do sul.

Martinez LBV 1997
Boca muito agradável e preenchida. Taninos bastante domesticados e dóceis. O picante deste Porto arrasta-se tranquilamente num final incisivo.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Vinho Fino (de Garrafão)
Este Porto foi ofertado, num lote de cinquenta, há quarenta anos, como prenda de casamento, a uma de nós (desencantem-se as casadoiras donzelas: estamos todos fora do prazo de validade, com excepção de uma irredutível aldeia gaulesa...). Foi colhido e feito em Freixo de Espada à Cinta, nos limites da zona demarcada do vinho do Porto e dele não se sabe mais. A sua idade exige os carinhos de um ansião e tem que ser apreciado nessa perspectiva. Na comparação com os vinhos modernos, Perry Mason apenas diria no further comments.
É uma preciosa peça de arqueologia vinícola.
Grand’ Arte Alvarinho 2002
Muito floral e de travo aromático. Frio, vai melhor. Quando a temperatura sobe, fica mais doce. Talvez demasiado doce. Sublinhe-se a circunstância de, sendo produzido fora da região demarcada, se bater de igual para igual com os restantes alvarinhos do mercado. E, last but not least, sai cum laude.
Pontuação
Ana: 15,5
LP: 16
PV: 15

terça-feira, agosto 03, 2004

Deu la deu – Alvarinho 2003
Consistência e equilíbrio com a adstringência certa. Algo seco, é mais delicado que o comum dos Alvarinhos, dos quais tem o carácter, sem ter a sua exuberância.

Burmester LBV 1998
Picante e discreto, este Porto é incisivo e mais elegante que vigoroso. Tem a distinção dos grandes vinhos.

segunda-feira, agosto 02, 2004

Grand'Arte Touriga Nacional 2001
É um grande complexo de sabor a remédio, amora, baunilha e chocolate. Cola-se a afirma a sua enérgica presença. Deu grande luta a excelente picanha.

domingo, agosto 01, 2004

Quinta do Ameal Loureiro 2003
Impacto frontal de acidez fresca. Mais subtil que directo. Seco e delicado. Bom aperitivo.

Dalva Vintage 1994
Picante e mastigável, mas não permanece. Isto é, a impressão inicial deste Porto é agradável, mas sofre de morte súbita e não tem sequência.

sexta-feira, julho 30, 2004

Terras do Pó 2003
Tinto que desliza muito bem e satisfaz. Travo muito intenso de fruta.

Quinta da Lixa Loureiro 2003
Verde frutado e consensual, com corpo muito equilibrado.

Dalva LBV 1998
Porto superior, mas curto. Bebe-se bem. Tem o picante certo para depois do almoço de verão. Harmonia muito agradável.

Vinha Conchas Tinto 2003
Concentrado de vinho, potente e expansivo. Enche a boca e é um excelente compromisso preço qualidade.

Grand'Arte Trincadeira 2003
Forte e denso, mas nada rude. Corpulento e quente. Grande adversário para um almoço prolongado.

quarta-feira, julho 28, 2004

Quinta da Lixa Vinho Verde 2003
Sólido e rico. Impõe-se pela frescura, mas é também muito consistente. Também tem que destacar-se a versatilidade. Acompanha bem com qualquer coisa. Não vai é sozinho. O vinho do espírito do verão.
Pontuação
LP: 16
Ana 15,5 e não mais porque não é feminino
F: 16,5, pelo excelente preço
PV: 15,5


Vinha Padre Pedro 2001

Não é fácil encontrar um tinto com um ramalhete tão policromado de aromas. Bebe-se com a agradável curiosidade de quem não resiste à tentativa de descobrir e desemaranhar sabores.

Dalva LBV 2000
Este não é um Porto clássico. Travo a ervas aromáticas. Mesmo muito fresco (imprescindível), sabe ao calor do verão.
Pontuação
LP: 17,5
PV: 17

terça-feira, julho 27, 2004

Comparativo Rosé
Experiência sazonal de uma noite de verão.


Quinta da Giesta 2003
Rosé vinificado a partir de uvas de touriga nacional, desengaçadas algumas horas após a maceração. O aroma é muito floral, mas masculiniza-se na prova. Travo consistente, apesar de o vinho ser leve, fresco e adocicado. Não é um leviano rosé de verão.
Pontuação
Ana: 15
LP: 15,5
PV: 15

 
Vinha da Defesa 2003
Tem personalidade e corpo. É de facto vinho, feito de uvas tintas. Talvez peque pelo excesso de açúcar que, se não estiver gelado, lhe dá um travo pastoso e acre. Bom vinho de verão.
Pontuação
LP: 15
A: 15,5
F: 14,5
PV: 14


Sairrão – Quinta do Picoto 2003
A frescura é a nota mais saliente. Por isso, deve beber-se muito frio, para não se tornar pastoso. A frescura não afasta alguma complexidade no sabor, que lhe dão personalidade. Ligeiro, é um agradável vinho de verão.
Pontuação
Ana: 14
LP: 13,5
PV: 13


Murganheira Rosé 2003
O vinho está bem feito. É leve e fresco. Tem espírito de férias de verão e bebe-se bem. Mas não convence.
Pontuação
Ana: 11,5
LP: 13
F: 12
PV: 12
 
Quinta do Castelinho Rosé 2003
Nota-se muito que é feito de castas tintas. Acre e um pouco duro, a raiar o rude. O Douro não está feito para rosés.
Pontuação
Ana: 11,5
LP: 12,5
PV: 12
 
Vale dos Pombos, Rosé 2003
Muita acidez, em pouco corpo. A Quinta da Lixa sabe fazer melhor.
Pontuação
Ana: 11
LP: 12,5
PV: 11,5
  
Vale dos Pombos, Espadeiro 2003
Fusão de vinho verde com rosé. Feito de uvas tintas (parece impossível fazer-se rosé de um vinho tão duro), é fugaz e muito leve. Tão leve que nem se dá por ele.
Pontuação
Ana: 10
LP: 12
PV: 11

segunda-feira, julho 26, 2004

Quinta da Alorna Reserva 2001
O sabor da terra. Quente e possante. Ribatejano à antiga portuguesa deu grande luta a uma monumental parelha de bifes de vaca.
Pontuação
Ana: 15
LP: 15,5
PV: 15


Solar de la Veja - Verdejo
De Rueda, musculado e com corpo, vegetal e herbáceo. Dizia a Ana que “na relatividade da refeição ganha mais do que objectivamente poderia conseguir conseguir, noutro contexto”. Serviu, na perfeição, para acompanhar umas beringelas fritas e um camembert rebozado, aquelas segundo Francisco José Viegas e este, ainda segundo o Chico Zé, de Pepe Carvallo.

domingo, julho 25, 2004

Enate 2001
Este tinto de Somontano sobreviveu, sem sobressaltos, às obras da garagem. Sendo um varietal de cabernet-sauvignon e merlot, domina o primeiro, o que se nota no corpo e intensidade. O cabernet dá-lhe também o travo e o aroma insidiosos, característicos da casta. É um bom vinho,  muito profissional, embora intemporal e apátrida.

sábado, julho 24, 2004

Bom Juiz Reserva 1999
Tinto do terroir (Adega Cooperativa de Reguengos), com travo a groselhas pouco maduras, a lembrar um vinho jovem. É também jovem a sua adstringência. Quanto ao demais, é um vinho alentejano, de botas e capote, que deve beber-se arrefecido para compensar a intensidade.

Quinta do Castelinho Porto LBV 1996
Aroma algo alcoólico. Este vinho veio de pipas com grande experiência, e ainda teve uma evolução na garrafa. Harmonioso e não dissonante, é discreto e não dá nas vistas. Alguma fruta, que lhe dá frescura – ou será o inverso ? Conjunto delicado mas com suficiente vivacidade para o tornar interessante.

quinta-feira, julho 22, 2004

Pinga do Lavrador, sine data
Da Adega Cooperativa de Vila Flor. Chega de shelf-cleaning! Hoje mesmo vou às compras.
PS: este é menos mau que os anteriores. Com Seven-Up talvez dê um bom vino de verano.

Casa do Arco 1994
O fado do terroir de Valpaços, onde este vinho foi colhido, diz que “pais ricos, filhos nobres e netos pobres”. Este tinto, herdeiro de uma grande tradição de Colheitas e de Reservas, bateu no fundo. Dez anos depois, está imbebível.

quarta-feira, julho 21, 2004

Verdejo Martivilli 2002
Um Rueda espesso e muito vegetal, com travo de fruta muito madura e intensa. Foi provado no verão de 2003 (post de 18 de Agosto) e LP previa que ganharia com a passagem do tempo. Até agora, não parece. A menos que tenha sido prejudicado pelas obras na garagem.
 
Messias Seco Aloirado
Este Porto, não datado, mas há seguramente mais de trinta anos na garrafeira paterna, é extraordinariamente seco. Chega a ser agreste e antipático. Talvez vá bem com um cubito de gelo.

segunda-feira, julho 19, 2004

Vinho do Primo Júlio
Colheita privada, de 2002. Vinho de lavrador, espesso como café – aliás, tem uma suspensão parecida com a do café de saco. Dantes, era vinho novo. Agora é vinho novo envelhecido. Fresquinho, ainda foi. Se não estivesse assim, gelado, não serviria para acompanhar a salada: deitava-se nela. 
  
Adega Cooperativa Ponte da Barca - Tinto
O verde tinto é sempre uma experiência alternativa. Independentemente da temperatura, parece sempre fresco. Este é verdasco e tem adstringência total, com travo de uvas pouco maduras. Quanto à prova, pouco mais se lhe nota. É sempre um refresco (de 9,5% de teor alcoólico) para quem não quer beber vinho.
 
Encostas do Rabaçal, Touriga Franca 2002
Varietal da Adega Cooperativa de Valpaços, com 14% de teor alcoólico. Granuloso e vegetal. Parece ainda estar em evolução e, portanto, parece inacabado. Curiosamente, tem o traço mineral dos vinhos à antiga portuguesa.