domingo, outubro 24, 2004

Quinta da Aveleda 2002
Branco liso, com apenas ligeira agulha. Perfeitamente urbano e delicado. Quase hermafrodita. Foi bem com melão com presunto.

Cerejeiras 2002
Branco Regional Extremadura da zona do Bombarral. Típico vinho da terra, com corpo carnudo a recordar ameixas. Deu consistência a umas ameijoas à Bulhão Pato pequenas e saboras.

terça-feira, outubro 19, 2004

Quinta do Crasto, Reserva 1999
Aroma intenso, a denunciar madeira. Travo agudo, estruturado e consistente. Este tinto, à antiga portuguesa, é um vinho sofisticado mas não esconde que a sua faceta predominante é a de vinho de tradição. Dará seguramente grande luta a um canard à lp.

segunda-feira, outubro 18, 2004

José de Sousa 2001
Regional Alentejano segundo J M da Fonseca. Moderno, mas de raiz tradicional (parcialmente fermentado em barro). Além de trincadeira e de aragonês, é feito de Grand Noir. Será por isso que é mais urbano e profissional (custa-me – e não merece -, chamar-lhe cinzentão…).

Quinta dos Aciprestes tinto 2001
Aroma rico, intenso e elegante. Travo musculado, talvez mais modesto que o aroma, mas ainda assim corpulento, a dar bem conta dos 14 graus. É jovem e cheio de pujança. Exigirá, por isso, decantação, para que os sabores se libertem das névoas próprias de um vinho novo.

quinta-feira, outubro 14, 2004

Solar de la Vega Verdejo 2003
Branco de Rueda, com aroma e travo de maracujá, dizia o LP e eu subscrevo inteiramente. Esta intensidade tropical, fresca e sedosa, é difícil de combinar com comida. Mais valerá bebê-lo sem acompanhamento (mas, como sempre, ganhará se for bebido com companhia – tropical, maracujá, calor, ‘tá a ver?…) e perfila-se como um excelente aperitivo.

Quinta das Maias Verdelho 2000
Envelheceu e ganhou travo de pastilha elástica. Não sei se de amora silvestre, se de clorofila. Corresponde à velha ideia do branco velho tinto e geropiga (com peixe frito).

segunda-feira, outubro 11, 2004

Quinta de Cabriz Reserva 2000
Tinto delicado e nada rude, mas determinado. Sofisticado e com carácter, que não esconde a proveniência do Dão. Apesar disso, tem corpo moderno.

Quinta da Alorna Chardonnay 2003
A potência alcoólica (14%) não se apercebe e não prejudica minimamente a suavidade acetinada deste vinho tão agradável como insidioso.

domingo, outubro 10, 2004

Comparativo Soalheiro 2000, 2001, 2002 e 2003
Prova comparativa vertical de quatro alvarinhos do mesmo produtor, de quatro colheitas consecutivas. O objectivo era verificar a evolução da maturação e a longevidade. A prova foi rigorosamente cega, mas a cor e, sobretudo, o travo muito diferenciado dos vinhos, permitiram ao painel especial de provadores identificar facilmente qual era qual.
2000
Muito suave (St), nobre e velho, com grande dignidade (PV). Perdeu timbre, porque algumas das suas originais características já estão ténues (CBX). Apesar disso, continua fresco, complexo e harmonioso, embora seja claro que perdeu força e está já em declínio (LP). Está passado (A).
2001
Pouco doce (CBX), mas complexo (St). Está no ponto (LP), embora seja pouco fresco e algo seco, talvez mesmo acre (PV). Sabe a rolha (A).
2002
É o mais equilibrado do painel (CBX), com boa composição de sabores (St). Grande aroma, a prenunciar o, sem dúvida, mais complexo e intenso dos vinho provados, com um longo final (LP). Atingiu o ponto máximo da sofisticação (PV). Picante, talvez borbulhante, como se tivesse adicionada gasosa (A).
2003
Aroma exuberante, talvez reminiscência dos albariños galegos (LP), acidez equilibrada (St), leve e frutado (CBX), embora ainda verde, com caminho a percorrer, indo melhorar (PV). É o melhor do painel (A).

sábado, outubro 09, 2004

Cabeça de Burro Reserva 1999
Tinto mineral, com prestação cinzenta. Parece um produto industrial germânico: é bem feito e não merece reparos no que respeita à qualidade intrinseca, mas não tem espírito nem graça. Na era de criatividade enológica que se vive, este tipo de vinho não vai sobreviver.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Hacienda Monasterio 1999
Este tinto da Ribera del Duero tem 14% de teor alcoólico. Não denuncia o álcool nem a idade, tendo um aroma jovem e vigoroso, que fica no copo até ao fim. O travo é consistente, ligeiramente adstringente e intenso. Canta na boca e ecoa no peito, largando pelo caminho um rasto persistente de aromas.

segunda-feira, outubro 04, 2004

Juliana Tinto 2003
O nome é o da mãe de Maria Adília, a produtora, muito sensibilizada para os assuntos relacionados com os doentes de Alzheimer. Aliás, segundo o contra rótulo, parte dos proventos resultantes da venda são encaminhados para a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer. Sendo um Douro, é engarrafado na Maia.
O travo é de fruta ainda não madura. É novo e melhorará com algum tempo.
É um VQPRD Via Norte, dizia o Fernandinho. Segundo o Maestro, foi a relva de um bom terreno de jogo, em que os futebolistas foram os queijos, mas estará melhor por altura do baptizado do segundo filho da Susana e do Nuno. Belo recorte de prosa, resultado de uma correcta leitura do entrosamento do líquido, concluiria G. Alves.

domingo, outubro 03, 2004

Santa Valha Tinto 2003
É o primeiro VQPRD Valpaços não produzido pela Adega Cooperativa (foi feito na Quinta do Sobreiró de Cima). É robusto e musculado (14,5%). Travo de maçãs camoesas. É ainda um pouco palpitante, por ser novo e talvez lhe faça falta repousar um ano ou dois. Mas já se bebe com agrado.

Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2001
Tinto policromado, com um óptimo impacto inicial. Após algum tempo no copo, o espírito vai fugindo e termina num final acre.

LBV Pingo Doce 1997
Não será muito complexo mas, sem pretensões, é suficientemente rico, suave e delicado.

sábado, outubro 02, 2004

Adega de Pegões, Branco, Colheita Seleccionada 2003
Equilíbrio muito consistente de sabores ricos variados.

Couteiro Mor Antão Vaz 2003
Adocicado, sem ser desagradável.

Couteiro Mor Tinto Colheita Seleccionada 2001
Potente mas delicado, enche a boca e deixa atrás de si um esteira final com personalidade.

Quinta da Alorna Cabernet Sauvignon Reserva 2001
Clássico travo de cabernet, com sabor a terra.

quinta-feira, setembro 30, 2004

Quinta da Romeira - Chardonnay e Arinto 2002
A combinação da acidez do arinto com o travo amanteigado da casta francesa está bem equilibrada. Tem corpo suficiente e agradável, mas no final é curto. É macio e delicado, apesar dos seus 13% de teor alcoólico - torna-se por isto insidioso. Enfim, é um vinho geneticamente feminino ou, se me é permitido, um verdadeiro vinho de gaja.

sábado, setembro 25, 2004

Comparativo Virgílio Loureiro
(Prova intensiva, a propósito do 8º aniversário das Coisas do Arco do Vinho)

Cruz Miranda Colheita Seleccionada 2001
É o raro caso de um varietal de alfrocheiro, produzido no Alentejo. O resultado é óptimo. Aroma muito efusivo, que se expande persistentemente. O travo, recorda a terra fresca, depois das primeiras chuvas de Outuno. A estrutura é harmoniosa e complexa. O final é longo e intenso.

Caves São Domingos Cabernet 2000
Irrepreensível. Denso e complexo. A adstringência arrasta-se pelo final.

Caves São Domingos Touriga Nacional e Baga 2001
DOC Bairrada, que terá que ser decantado e agradecerá um copo largo. Uma vez aberto, é liso e linear, mas rico e consistente.

Granja dos Frades 2003
Branco à antiga, com 13% de teor alcoólico. Denuncia o carvalho onde estagiou, embora por si mesmo já seja vegetal e substancial. Algo acidulado. O seu enólogo não revela as castas que o compõem (são duas, numa relação de 7/3). Aceitam-se apostas. Arinto? É provável. Chardonnay não parece. Alvarinho, dizia o LP.

Caves São Domingos Bical e Maria Gomes 2000 e
Caves São Domingos Bical e Maria Gomes 2002.
Este bi-varietal, à antiga bairradina, recupera a tradição do branco velho. O vinho tem que amadurecer. E, mesmo maduro, deve decantar-se, para que liberte a sua rudeza. Por isso, o 2000 era agradável e o 2002 ainda está agreste. O 2000, após decantação, é nobre e solene, mas deve ser mantido em temperatura baixa, para que o seu delicado verniz não estale. Vantagem para o 2002, na vivacidade.

sexta-feira, setembro 24, 2004

Terras do Pó 2003
Este tinto, Terras do Sado, passado que está o verão e provados que vão uns quantos vinhos franceses, faz mais diferença, pelas suas características específicas, comuns a outros vinhos da região. Mas também se afirma mais como uma boa relação preço/qualidade. Insisto que deve beber-se bastante frio.

quinta-feira, setembro 23, 2004

Quinta da Alorna Reserva 2002
O chardonnay marca o carácter, sem enjoar nem se evidenciar de mais. O arinto, dá-lhe corpo e riqueza. Sofisticado e muito agradável.

quarta-feira, setembro 22, 2004

Fattoria di Campigiana Chianti 2000
Este tipo de vinho, já se sabe, bebe-se leve, levemente. Fresco, é mesmo agradável. Os 12º são ligeiros, mas apesar disso revelam alguma personalidade e substância. Se houvesse vinho no Mc Donalds, seria deste tipo.

Jacob´s Creek Shiraz Cabernet Vintage 2001
Muito nome para pouco vinho. De Barossa Valley, South Austrália, este tinto é algo picante e nervoso. Tem uma personalidade rugosa, do Novo Mundo. No Corte Inglês, onde foi comprado, dir-se-ia dele que esta bien. E não mais.

segunda-feira, setembro 20, 2004

Terra Franca Branco 2003
Regional Beiras da Sogrape. Bem feito e civilizado, mas sem grandes rasgos de criatividade ou génio. E é tudo.

sábado, setembro 18, 2004

Dólmen Tinto 1989
Após meados da década de 1980, a Adega Cooperativa de Valpaços deixou-se decair. Já se tem dito por aqui que os seus vinhos já tiveram melhores dias. Agora, até o Berto, velho conhecido free-lancer da agro-indústria local, concede que este líquido algo sulfuroso (apesar da idade) e acre, já “enfraqueceu”.

sexta-feira, setembro 17, 2004

(já com acentos mas ainda com acento.)
Château Tour Saint-Christophe 2001
Este AOC Médoc tem uma grande (enorme) adstringência, que esconde algum travo de groselhas. É um daqueles tintos clássicos de Bordeaux que deveria ser bebido mais envelhecido.

Domaine Allimant-Laugner Brut
Espumante francês, não champagne, produzido ao lado, na zona de denominação de origem (AOC) “Crémant d’ Alsace”. Talvez por isso seja demasiado gasoso e, mais que bruto, um pouco rude e agreste. Bem frio, aguenta-se até ao segundo copo.

Château La Croix du Duc 2000
Eis um tinto Bordeaux Supérieur claramente da era pós-Parker: 13% de teor alcóolico; manifesta alguma complexidade. Apesar disso, ainda se fica pelo impacto inicial, porque não tem notas finais. A não ser as dos taninos, muito marcantes.

quinta-feira, setembro 16, 2004

(ainda sem acentos, mas ja sem a colega do lado...)
Riesling da casa - Taverne de Maitre Kanter de Strasbourg
Grande acidez, com algum travo herbaceo. Apesar disso fica harmonioso, envolvente e agradavel se for servido em copos largos (sera o caso daqueles copos tradicionais da Alsacia, com pe verde, especificos para este tipo de vinho).

Bouquet du Comtat
AOC Cotes du Rhone. Tinto delicado e adocicado, nao muito consistente. No final, porem, revela alguma adstringencia complexa, que permanece, deixando algum travo de fruta madura. Este vinho e mais do sol que do sul.