segunda-feira, janeiro 10, 2005

Grandjó Late Harvest 2002
Acidez muito bem colocada, que compensa a doçura melosa típica deste tipo de vinhos, a que a botrytis dá magia. Corpo denso e rico. Como aperitivo requererá uma entrada forte. Foi excelentemente com foie-gras. 90

Labirinto Alvarinho 2002
Talvez um pouco agridoce, o que o torna agressivo em temperaturas baixas e enjoativo se aquece. Aroma muito herbáceo. 75

me e jbc selections Douro tinto 2001

Modelo acabado de modernidade que, apesar disso, não recusa a origem duriense. Corpulência no travo de terra húmida (da touriga nacional), já prenunciado pelo aroma. 89

Alambre 20 anos
Moscatel de Setúbal seco e acutilante, sem deixar de ser delicado. Bom impacto na boca, com algum travo de açúcar mascavado. 85

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Lavradores de Feitoria 2003
Três bagos e sauvignon blanc. Branco pujante, com' uma fórça, diria a Nelly. Flores madrugadoras de primavera. 85

Alión 2000
Ribera del Duero com textura muito personalizada e espessa. Puro e duro. 90


Ramos Pinto Vintage 2000
Delicado e doce, sem arestas. Talvez um pouco curto, no final. O preço está um pouco inflaccionado. 85

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Tapada do Barão Reserva 2001
Grande complexidade de sensações. Delicado, embora solene. É um vinho sério.

Cortes de Cima Syrah 2002
Correspondendo às características da casta, é potente e fundista. Mastiga-se. Pareceu bem.

Grand' Arte Touriga Franca 2002
Talvez seja por ser novo. Ou das especificidades da casta. Está agreste e precisa de abrir. Evoluindo, mesmo que copo, torna-se bastante mais agradável.

Quinta da Alorna Chardonnay 2003
Gordo e arredondado. Não tem arestas amanteigadas e amadeiradas. Irá bem como aperitivo, sem mais nada.

Quinta do Ribeiro Santo Reserva 2000
Quente, sem ser pastoso. Bastante mineral e rico. Dão da velha escola tradicional.

Cartuxa Reserva 1994
Nobre, à antiga portuguesa, um pouco demodée. Apesar disso, respeitável. Imprescindível decantar com cuidado.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Loureiro Pingo Doce 2003
Da casa que faz o Ameal. Verde branco ligeiro e muito fresco, sedoso e delicado. Ar de verão, que pode apelar a comida de verão. Retemperador, no interlúdio das festas de inverno.

Loureiro 2003
Da Adega Cooperativa de Ponte de Lima. Um pouco agressivo e agridoce a mais. Rude, do campo. Como os lenhadores.

Cortes de Cima 2000
Aroma intensíssimo de fruta vermelha, que acompanha o travo alongado, muito frutado. Grande vivacidade. Vinho moderno e muito dinâmico.

quarta-feira, dezembro 29, 2004

Santa Valha 2003
Tinto VQPRD Valpaços, já anteriormente aqui referido. 14,5º de corpulência. Será a retoma (fora da Adega Cooperativa) da tradição nobre dos vinhos de Valpaços? Este, ainda terá que esperar algum tempo para revelar a sua dimensão.

Pera Manca Branco 2001
Nunca demais repetir. Aroma incisivo. Irrepreensível concerto de equilíbrio e harmonia.

Solar de la Vega Verdejo 2003
Grande aroma de maracujá, que se prolonga na boca, num travo de marcada fruta, em que a doçura está bem dimensionada com a acidez. Está no ponto.

Confrerie des Gourmets Bordeaux 1998
Palhete franciú, sem consistência nem especificidades que mereçam nota. Se os estrangeiros não tivessem, por imposição do fado lusitano e pela natureza das coisas, privilégios óbvios em Portugal, este tinto não se beberia.

Albariño Dionisos Rias Baixas 2002
Algo verdasco e rude. Mas óptimo no género, com bom pico de acidez fresca e gorda

sábado, dezembro 25, 2004

Reserva ACR 2001
Tinto potente, de 14º. Vinho de grande elegância. Forte e quente, rico de sabores e travo muito adstringente. Foi excelentemente com um cabrito no forno.

Reserva Especial Ferreirinha 1990
Por falar em cabrito no forno, este clássico foi ainda melhor. Mineral e linear. Acutilante, de grande elevação. Óptimo.

Montes Ermos Reserva 2001
Vinoso e agreste, este tinto de Freixo-de-Espada-à-Cinta está talvez ainda um pouco verde e adstringente.

Casa do Arco 1990
Equilíbrio entre o carácter mineral, do “terroir” e a corpulência da terra quente transmontana. Resultado elegante. O segredo deste vinho está em abrí-lo no dia anterior, para que respire. Talvez tenha sido o último moicano da Adega Cooperativa de Valpaços.

Quinta de Santa Bárbara Porto Tawny Colheita 1986
Muita madeira e nobreza. Registo tradicional, de caramelo e canela. Back to basics, mas muito agradável.

Quinta de Santa Bárbara LBV 1999
Cerejas maduras, em vinho muito estruturado.

Ramos Pinto LBV 1997
Porto não filtrado e portanto perigoso, pelas consequências. Pelas mesmas razões é muito rico e substancial. Travo de chocolate, algo picante. Vivaço e intenso. Bom vinho.

Dom Salvador Alvarinho 2003
Muito aromático, de travo rico. Honesto, sem concessões, embora não chegue a ser exuberante.

Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2003
Branco freco e acutilante. Só revelará a sua riqueza a uma temperatura menos fria.

Encostas do Rabaçal Trincadeira Preta 2002
Vinho modernaço, da escola Joanne Harris, porque tem travo de batatas cruas e, eventualmente, nabo. 14,5º!

Encostas do Rabaçal Touriga Franca 2002
Chocolate preto, sem açúcar, tipo Celeiro. Algum mofo, também. Talvez fosse da garrafa.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Meandro 2002
Tinto do Douro, que não esconde a origem terrosa. É másculo, de personalidade muito segura de si. Adstringência intensa. Ainda é muito novo. A beber-se já, deve ser decantado e arejar um pouco em copo largo. Podendo, deixe-se envelhecer. Ganha com comida (LP dixit e muito bem dito).

Síbio Vintage 1970
Este porto da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal tem um aroma pujante, mas muito delicado. Revela uma harmonia muito doce e nobre, com forte mas delicado travo de caramelo. Desenterrado do passado, é um vinho de outra dimensão.

Quinta de Cabriz Reserva 2000
Delicadeza e equilíbrio enérgico. Polpa fresca e rica.


quinta-feira, dezembro 09, 2004

Quinta do Vale Meão 2002
As castas, são das mais tradicionais no Douro: tourigas (nacional e franca) e tintas (roriz e barroca). O perfil é o de um genuíno Douro. É agreste e musculado. Nada quente ou preguiçoso. É muito afirmativo e tem grande personalidade, que vai deixando demoradamente na boca. Rico de sabores, mais que de aromas. Deve repousar antes de ser servido.

Esporão Branco Reserva 2003
Muita madeira, num corpo gordo. Travo intenso e pujante.

Francisco Nunes Garcia Reserva 2001
Chocolate amargo no estado líquido. Grande sofisticação e elegância. Vinho de excelência.

Vinha Grande 2001
Aroma muito jovem e másculo. Em geral, este é o tom deste vinho: verde e adstringente.

Pêra Manca Branco 2002

É um risco dizê-lo, mas é o melhor branco até agora aqui blogado, concedendo que quando o nível é o da excelência o critério está no gosto de quem prova. Compará-lo com o Redoma, por exemplo, é igual a perguntar se é melhor ir de férias para o campo ou para a montanha. Garrafa nº 26.731, que curiosamente ganhou com um ligeiro arejamento. A nobreza esmaga (ou serão os 14%?). Harmonioso e irrepreensível. Que elegância e sofisticação!

Marquês de Borba tinto 2003
Os 13,5% notam-se no corpo e no vigor. Rico no sabor e vivaço. Talvez venha a tornar-se mais delicado com o tempo. Exige acompanhamento de comida condimentada.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Penfolds Koonunga Hill Chardonnay Vintage 2001
Há quem inclua os chardonnay australianos nos melhores do mundo. Este, é óptimo. Tem um equilíbrio assombroso entre a frescura e o sabor. O seu corpo consistente torna-o num excelente vinho para beber sem acompanhamento.

Encostas do Tua Grande Escolha 2000
A juventude ainda o marca muito. Por isso, é enorme a sua adstringência explosiva que ainda não deixa aperceber os sabores que após a maturação que lhe falta revelarão um seguramente excelente vinho.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Quinta de La Rosa Tinto 2002
Incisivo e saltitante. Vai melhorar, porque ainda está um pouco adstringente.

domingo, novembro 21, 2004

Que vinho para um caril de gambas, de intensos sabores e muito picante?

Cabeça de Burro Branco 2003
Para beber estupidamente frio, como aperitivo. Vai bem só. Melhor que acompanhado.

Luís Pato Rosé Baga 2003
Definitivamente, os melhores vinhos rosé que se produzem são os feitos a partir de castas tintas. É o caso deste, que tem consistência e corpo pouco habituais num vinho descolorido. Fruta madura. Talvez maçãs. Muito agradável.

Noval LBV 1996
A velha escola do vinho do Porto. Poderoso, com travo de bagas silvestres. Sofisticado e delicado. Acetinado, apud LP.

sábado, novembro 20, 2004

JP Tinto
Regional Terras do Sado, que poderia figurar com destaque num “comparativo de vinhos de self-service de auto-estrada em meia garrafa sem data”. Noutras circunstâncias não se beberia, mas não é mau. É assim tipo automóvel citadino: vai servindo para o dia a dia e tem a enorme vantagem do preço

terça-feira, novembro 16, 2004

Tapada do Barão Reserva 2001
Tinto licoroso e delicado, mas sem conceder na robustez.

terça-feira, novembro 09, 2004

Encontro com os Vinhos e Sabores
(provas em contra-relógio)

Gazela
Verde fresco e doce. Carnudo e, se muito frio, um agradável aperitivo.

Quinta do Ameal Escolha 2003
Verde branco, muito floral. Sem arestas. Aprazível.

Barcelo 2003
A Quinta das Maias decidiu recuperar uma velha e quase extinta casta do Dão. Vale pela curiosa raridade. Na sua essência, não consegue deixar de ser um modesto produto regional.

Muros Antigos Alvarinho 2004
Prova preliminar da segunda escolha dos Muros de Melgaço. A tenra idade dá-lhe mais frescura do que é hábito em alvarinhos. É também mais frutado, o que se anota com agrado. Dizia o LP – concordo – que, sem desprimor, faz recordar os albarinõs da Galiza.

Casa da Palmeira 2001
Tinto do Douro, acre e um pouco agressivo.

Grand’ Art Alicante Bouschet 2003
Com 14 %, este vinho espesso tem travo dominante de chocolate, com notas de frutos silvestres – amoras, talvez. Mas ainda tem algum percurso a fazer até perder a adstringência e ganhar delicadeza.

Grand’ Art Trincadeira 2003
É menos alcoólico (13,5) que o Alicante Bouschet e já se nota muito mais bebível. Enche a boca de taninos e sofisticação. Grande vinho.

Esporão Touriga Nacional 2002
Sinfonia poderosa (15%), sem notas dissonantes ou desafinações. Não tem defeitos.

Esporão Private Selection 2001
Tinto apimentado e adstringente. Já é distinto, mesmo de excelência, mas ainda vai evoluir. 14,5%.

Rovisco Pais Reserva 2001
Castelão Francês, acre e ácido. Poderia qualificar-se como um vinho terra a terra.

Bridão Reserva 2001
Apesar de ser musculado (14% de teor alcoólico), é delicado.

Tapada de Coelheiros 2001
Grande aroma, mas travo muito agreste.

Monte Seis Reis Syrah 2003
Força e corpo.

Herdade de São Miguel 2003
Regional alentejano, quente e envolvente. 13,5 % de teor alcoólico.

Cistus Touriga Nacional 2002
Cistus Tinta Roriz 2002

Dois belos néctares para envelhecer.

Herdade do Perdigão Reserva 2000
Tinto mediano.

Quinta do Portal Grande Reserva 2000
Douro rico, com boa personalidade.

Quinta do Portal LBV 1995
Porto com travo de chocolate picante, muito intenso, o que espanta num vinho com esta idade.

Fonseca Vintage 1985
Porto de excelência, acutilante e incisivo.

domingo, novembro 07, 2004

Vinha Paz 2002
Tinto do Dão, com 13,6º. Imensa densidade. O oposto de aquoso. Deixa uma marca estável e constante, desde o início da prova.

Fiúza Rosé 2003
Aguado. Os seus poucos aromas são anulados por um incomodativo travo sulfuroso.

sábado, novembro 06, 2004

À procura do melhor produzido em Portugal

Poeira 2002
No início, numa primeira impressão, surge uma potente e descontrolada explosão de sensações. Depois, fica uma grande elegância no comportamento na boca. A seguir, impressiona a riqueza de sabores e o final persistente. 13,6º. Belíssimo. Ao melhor nível.

Quinta de Vale Meão 2002
O aroma, no nariz, é intensíssimo, mas na boca nota-se que os portentosos sabores (14,5%) ainda estão em crescimento. Já é muito agradável, mas em garrafa melhorará muito. Vai ser um vinho de excepção.

Quinta do Noval LBV 1996
Muito agradável e rico.

quarta-feira, novembro 03, 2004

Montado Tinto 2003
Regional Alentejano (JM da Fonseca) fresco e nervoso, quase saltitante. Talvez um pouco adocicado e com falta de acidez. Depois de arejar, acalma e sedimenta sabores de fruta fresca. Talvez seja o primeiro tinto de gaja de um futuro comparativo.

Vinho da Casa Cantinho Regional Serra da Estrela
Dão de 2001 de 12 grauzitos mal espremidos. Duro, muito duro.

domingo, outubro 24, 2004

Quinta da Aveleda 2002
Branco liso, com apenas ligeira agulha. Perfeitamente urbano e delicado. Quase hermafrodita. Foi bem com melão com presunto.

Cerejeiras 2002
Branco Regional Extremadura da zona do Bombarral. Típico vinho da terra, com corpo carnudo a recordar ameixas. Deu consistência a umas ameijoas à Bulhão Pato pequenas e saboras.

terça-feira, outubro 19, 2004

Quinta do Crasto, Reserva 1999
Aroma intenso, a denunciar madeira. Travo agudo, estruturado e consistente. Este tinto, à antiga portuguesa, é um vinho sofisticado mas não esconde que a sua faceta predominante é a de vinho de tradição. Dará seguramente grande luta a um canard à lp.

segunda-feira, outubro 18, 2004

José de Sousa 2001
Regional Alentejano segundo J M da Fonseca. Moderno, mas de raiz tradicional (parcialmente fermentado em barro). Além de trincadeira e de aragonês, é feito de Grand Noir. Será por isso que é mais urbano e profissional (custa-me – e não merece -, chamar-lhe cinzentão…).

Quinta dos Aciprestes tinto 2001
Aroma rico, intenso e elegante. Travo musculado, talvez mais modesto que o aroma, mas ainda assim corpulento, a dar bem conta dos 14 graus. É jovem e cheio de pujança. Exigirá, por isso, decantação, para que os sabores se libertem das névoas próprias de um vinho novo.