segunda-feira, março 28, 2005
Douro tinta, da Adega Cooperativa de Vila Real. Aroma vivo, de fruta discreta. Travo sem arestas dissonantes, algo arredondado até. É equilibrado e tem força e alma suficiente. É o que é. Afinal, nas cooperativas ainda se faz vinho bebível. 75
Encostas do Rabaçal Touriga Franca 2002
Da Adega Cooperativa de Valpaços. Varietal de corpo potente (14% de teor alcoólico) e rude. Travo adstringente de amoras do campo, que se cola na boca. Com grelos e alheiras foi bem. 80
Encostas do Rabaçal Trincadeira Preta 2002
Algo químico. Sabe a fruta verde. Agressividade ácida. 74
Vinho do Amigo Lauritão sem rótulo nem data
Fresquinho, numa merenda de primavera no campo, irá que nem ginjas. Ligeiro pico de acidez. Gasoso e muito alcoolizado. 68
Palmela VQPRD Pingo Doce Reserva 2000
Vem do Hero do Castanheiro e tem a marca do castelão francês. Adstringência e acidez típica. Mastigável, cola-se na boca. Exige acompanhamento. 80
Porto Desintervenção Aloirado Doce
Da Real Companhia Velha. Embora não tenha data, esteve quase trinta anos na cave de Chaves. Tornou-se sedoso, com aspecto âmbar. Ganhou densidade gordurosa muito nobre e delicada. Confirma o cliché: quanto mais velho, melhor. Alguém dá uma ajuda na explicação do nome do vinho? 90
Vinha da Defesa Tinto 2000
Vinoso e algo duro. Pujante e enérgico. Algo agreste. 73
Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2001
Frio (de carácter, que não de temperatura). Adstringente como diospirus. Travo de morangos verdes. 80
Almeida Garrett Chardonnay 2001
Nada amanteigado, muito discreto e subtil. 80
Cistus Reserva 1999
Douro à antiga, mas não à antiga portuguesa. O travo revela restos de fruta, já enobrecida. Delicado e sofisticado. Perdeu a adstringência mas sobrou o picante. 89
Porto Quinta da Devesa Garrafeira Particular
Não tem data, mas estava na cave de Chaves há perto de 40 anos. Cor âmbar carregada. Licoroso e luminoso. Sedoso e discreto, mas potente. Predomina um intenso travo de caramelo. Valeu a pena guardá-lo. 90
Montes Ermos Reserva 2003
Branco Douro, de Freixo-de-Espada-à-Cinta. Travo forte de ananás, algo amanteigado, denotando claramente a madeira onde estagiou. Corpulento e potente. Muito masculino. 78
Dólmen Tinto 2003
De Valpaços, vinho regional Trás-os-Montes. O rótulo está renovado e o vinho também. Está melhor que as colheitas anteriores. Não consegue libertar-se do carimbo de vinho corrente. Mas tem uma boa relação preço/qualidade. 70
Calços do Tanha Tinto 1994
Este foi um ano importante para Manuel Pinto Hespanhol, o produtor. Esta garrafa, que o próprio já não tem, ganhou o estatuto da idade. O vinho ganhou em nobreza, delicadeza e sofisticação. Sem perder o carácter, já tem o vigor domesticado. 85
terça-feira, março 22, 2005
Este vinho caseiro da Mealhada tem um forte travo de fruta madura, mas não é campestre. Pelo contrário, mostra-se polido e educado. Tem graça e força. Está bem para um leitãozinho bairradino. 80
Martim Codax Albariño 2003
É delicadíssimo, revelando uma acidez fresca e fina. Ainda vai ganhar corpo e complexidade, mas já é um gran vino. 89
Hacienda Monasterio 2001
Ribera del Duero de perfil moderno e aroma impressionante, que salta do copo, invadindo o nariz, perdurando. Travo de baunilha, muito pastosa e consistente (Zé dizia cerejas). Depois de arejar, torna-se picante e insidioso. 90
Dona Estela 2003
Verde branco de origem geográfica não revelada. Mais vale assim. Seco e duro. Agressivo e agreste. 65
segunda-feira, março 21, 2005
Se não for bastante arrefecido revela bastante a podridão nobre que caracteriza a sua origem. Bem frio, deixa de ser acre e, embora seja mastigável, mostra-se delicado e doce. Chega mesmo a ser sedoso. 90
Marques de Griñon Rioja 2000
Vinho da terra. Fresco e leve. Não se diria ser um varietal de tempranillo. 72
domingo, março 20, 2005
Os cavas são mais normalizados que os espumantes portugueses e os campagnes. Não é fácil encontrar maus. Este, confirma a regra e não destoa. Revela um ligeiro travo de maçãs amargas mas não ácidas. 80
Vinha d’ Ervideira 2002
Este branco evoca flores do campo, intensas e agrestes. Bastante corpo e consistência. 78
Cistus Grande Reserva 2000
Nova prova de um grande vinho, ao nível dos melhores portugueses. Mastiga-se e degusta-se a riqueza de sabores. Ramalhete de flores selvagens. 92
Quinta de Vale Meão 2002
O aroma tem um impacto potentíssimo no nariz. Perdura e perdura… No travo, muita fruta. Sofisticação e delicadeza. 92
Quinta de Santa Bárbara Vintage 1999
Porto muito equilibrado e subtil, embora não tenha grande intensidade (Zé dixit). Composto, enchendo a boca de caramelo, é um excelente Porto. 92
sexta-feira, março 18, 2005
Douro tinto de uma casa do sul. Aroma freco e jovial. Travo harmonioso, sem arestas. Talvez seja demasiado bem comportadinho, porque lhe falta um pouco de força e carácter. 75
Taylors Select Port
É, assumidamente, um vinho da 2ª liga. Não pretende bater-se com os grandes da mesma casa, mas no seu campeonato está em lugar confortável. É rico e adstringente, embora não tenha muita estrutura ou complexidade. Mas vai bem. 79
segunda-feira, março 14, 2005
Douro tinto. Aroma fresco e vivaço, que dura e dura. Adstringente e pujante, com travo de terra. Douro moderno, sem fugir ao main stream. Algo selvagem. 80
Vallado 2002
Outro Douro tinto. Desta vez, o aroma é predominante de carne fumada. Presunto transmontano, pouco curado e mole. O travo é mais seco: é de couro intenso. Muito adstringente, espesso e nada subtil. Estas peculiaridades dificultam muito a tarefa de encontrar-lhe companhia adequada. 78
sexta-feira, março 11, 2005
quinta-feira, março 10, 2005
De Monterey, Central Coast da Califórnia. Aroma arrasador de selva tropical. O travo é muito mais delicado e subtil. Tem um final insidioso e longuíssimo, deixando na boca um aroma de chocolate, algo abaunilhado, que com o tempo fica mais denso. 91
Verde Tinto da Tasca do João
Insustentavelmente leve, com espuma muito rosada, que se desfaz em acidez vivaça. Espesso e pastoso (são sedimentos, mesmo). Resolveu um complexo problema: qual o melhor vinho para uma lampreia com arroz? Neste contexto, não tem defeitos. 70
quarta-feira, março 09, 2005
Sideways
É definitivamente um filme sobre vinhos.
Não obstante, mesmo quem preferir beber outra coisa, vai divertir-se muito. E vai ouvir falar das peculiaridades da arte, com que poderá depois impressionar os amigos. Vai ainda familiarizar-se com palavras como fermentação malolática, cascos de carvalho francês ou pinot noir. Vai, por último, surpreender-se com uma boa história de vitória do bem na eterna luta contra o mal.
Alguns, ficarão mesmo enternecidos com as desventuras das almas que são gémeas e se cruzam sem se verem e das que se vêm sem o serem.
Eu, que sou bebedor (não me soa bem apreciador), senti que o filme é sobre eu mesmo. Sobre cada um de nós. É uma catarse, mas bem disposta. E, enologicamente, irrepreensível.
Em todo o caso, tem que esperar-se pelo DVD, para rever, em condições apropriadas: num filme destes devia ser permitido trocar as pipocas por um copo de tinto.
Se fosse vinho, a nota era 90.
terça-feira, março 08, 2005
Há quem goste de morenas e quem prefira loiras. Quanto a alvarinhos, que perdoem os outros, mas este é o escolhido. É assim a vida. Aroma subtil mas bem presente. Travo com personalidade sem pretender alardear força. Corpo bem consistente, sem se perder em curvas desnecessárias. Fruta e acidez q. b.. Em suma: tudo no sítio. 92
Monte Velho Tinto 2003
Juventude equilibrada e que não deixa ficar mal. Muita fruta, embora algo verde. 79
domingo, março 06, 2005
Referência habitual por aqui. Muito chocolate, mas amargo. Algo picante. Pujante e agressivo. No Douro, esta relação qualidade/preço é difícil de bater. 88
Quinta de Cabriz Encruzado 2003
Os brancos modernos são assim, musculados. Também são herbáceos e vegetais. Nada delicados (ou femininos, se se quiser…). Este tem a adstringência domada e faz boa companhia a entradas ligeiras. Não é selvagem e está no ponto. 85
Domingos Damasceno de Carvalho 2003
Tinto Terras do Sado em que o castelão está presente e bem presente. Marca o vinho, mas não dá nas vistas de forma exuberante, deixando que as outras variadas castas mitiguem a robustez e a adstringência com alguma diversidade de aromas. É vigoroso e activo. 85
Zambujeiro 2001
Não é fácil descrevê-lo. Parece um vinho à antiga. Ligeirinho, mas muito incisivo. Muito delicado. Chega a ser solene. Não precisa de evocar a linhagem, para deixar claramente perceber a sua categoria superior. 90
Dalva Vintage 2000
Porto de excelência. Enche a boca com a sua subtileza rica e pujante. Muito picante, deixa colado à boca um travo de cerejas maduras. 93
domingo, fevereiro 27, 2005
2001 foi um grande ano para os Sauternes, dizem. Este vinho, ainda não atinge a perfeição. Açúcar musculado (de frutas tropicais maduras) que se bebe bem porque é domesticado pelo álcool. Deve ser muito refrigerado, para que os travos selvagens e dissonantes arrefeçam os ânimos. Muito denso e complexo. Robert Parker (no Wine Advocate de Junho de 2004) pontuava com 91 em 100, pela expectativa da evolução que vai ter. Por aqui, pelo que agora é, ficamos por 90.
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Douro tinto, varietal de tourigas francesa e nacional (TFN). Se Mahler entrasse no campeonato das valsas, este vinho era uma valsa de Mahler. Vale por dizer que é um tinto à antiga portuguesa, com apenas 12 graus, travo mineral e aroma de pipa velha, sem descuidar a intensidade do travo. Dignidade e elegância (é mesmo sofisticação), sem perder a pronúncia do norte. 89
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Algo doce, com travo de maçãs doces, talvez notas de pêssego. Redondo e sem arestas. 73
Vila Régia Tinto 2002
Ligeirinho e fácil. Consensual e de fácil interpretação. É um bom vinho, sem notas dissonantes. Aguenta a generalidade dos acompanhamentos e não se dará mal sem eles. Mas, não será nunca protagonista. Como a um automóvel utilitário, não se lhe pode pedir demais. 79
domingo, fevereiro 13, 2005
Muita madeira. Muito travo vegetal. Aroma muito intenso, que revela um grande corpo. 90
Pedro Ximen Malaga 2 años sweet noble
Vinho licoroso, das Bodegas Quitapenas. Além do mais, vale pela curiosidade. Para lá disso, irá muito bem no fim da refeição. Rico de sabores, de interpretação complexa. Muito doce. É difícil quantificá-lo, mas por comparação com outros digestivos, vale 84.
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Velho conhecido deste blog. Sente-se bastante a madeira, que apesar disso está na dose certa. Já está bastante domado. Civilizou-se. Vale por dizer que arredondou. 90
Cistus Grande Reserva 2000
Ligeira acidez que lhe dá vivacidade. Adstringência discreta, mas muito marcante. Grande complexidade. Final não tão longo como o resto mereceria. 91
Vale Meão 2002
Outro vinho já referido. Adstringência vigorosa. É importante bebê-lo por um copo que, por um lado, liberte a acidez e o nervoso miudinho que ainda tem, mas por outro não lhe faça perder o aroma persistente. Final longuíssimo. Tem tudo no sítio. Só é penalizado pela sua ainda muita juventude. É que, vai ficar ainda melhor. 92
Graham’s LBV 1998
Muito picante e no resto compostinho. Sem ser um corredor de fundo, não deixa ficar mal. 84
domingo, fevereiro 06, 2005
Picante, vivaço e nervosinho. Ainda está um pouco verde, mas vai melhorar. 80
Pousada LBV 1997
Muito picante e acutilante. Aroma incisivo. Sem conceder na robustez, não tem arestas. Com o pormenor de que foi aberto, decantado (é um não filtrado) e deixado bem fechado até ao dia seguinte. E só então provado. Valeu. 90
Angelus 2003
Branco estereotipado e escorreito. É Bairrada, mas podia não ser. Para vinho de avião, não está mal. Nem bem. 72
Grão Vasco 2003
Outro branco de avião. No Gato Fedorento diriam “este é outro…”. Outro vinho. DE avião. Igual ao anterior. Um nadinha mais encorpado e complexo. 73
sábado, fevereiro 05, 2005
Vinho mastigável. Não tem travo de fruta: é fruta. Nariz prolongado. Boca cheia de delicadeza sedosa e sofisticação. Equilibrado e muito poderoso. 90
Sauvignon Club des Sommeliers AOC Pays d’Oc
Aroma muito frutado. Travo intenso de maçãs ácidas, mas bem maduras. 79
Gisselbrecht Pinot Noir 2004
AOC Alsace. Novíssimo, mas não se diria, porque tem a cor transparente de um palhete. É licoroso e adocicado. Pode ter estagiado em cascos velhos. Ou então pode ter levado álcool para quebrar a fermentação. Percebe-se que esta casta venha sendo usada para fazer vinhos brancos. 70
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
Tinto de consumo corrente, sem data; daqueles que se vendem nos restaurantes de self-service. Bastante arredondado e consensual. Vai com qualquer comida, mas näo enriquecerä nenhuma. 70
Gustave Lorentz Edelzwicker 2000
Os brancos da Alsacia (este é de Bergheim) säo sempre irritantemente civilizados e irrepreensïveis. Säo sempre muito coquettes; frutados e delicodoces. Delicados e doces, mesmo. Mas näo däo pica. 75
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Talvez estivesse frio. Ou então era do copo. Pode não ter arejado suficientemente. Mas a garrafa e o rótulo são bonitos. 65
Portal Moscatel do Douro
O moscatel da Quinta do Portal de 1996 era consistente e estruturado. Tinha corpo e dignidade. Este, sem data, é feito de forma diferente, em bica aberta. Fica mais refrescante mas, entre outros, perdeu cor, corpo e alma. Tal como a geropiga, não é para guardar. Beba-se já, ou então no próximo verão, numa esplanada, com água tónica. 71
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Vinho alentejano, de Arraiolos, licoroso e denso. A touriga nacional está domesticada, embora não esteja dócil. Pelo contrário, revela um grande corpo, com músculo. 88
Porto Dalva LBV 2000
Tem substrato e corpo. Muito saboroso picante e acutilante, sem arestas. 85
sexta-feira, janeiro 28, 2005
terça-feira, janeiro 25, 2005
sábado, janeiro 22, 2005
Tinto do Douro de categoria superior. Rico e espesso, muito vivo, colando-se na boca, espalhando sabores. 88
Quinta de Roriz Vintage 1999
Porto de excelência. Subtileza poderosa. Harmonia e sofisticação. Picante q.b.. Grande vinho. 92
Taylors Chip Dry
Ou cheap dry? Parece um branco velho,mas sabe a xarope. 70
Aneto 2002
É suposto ser uma poção do amor. Algo espesso e àspero. Um amor difícil. 80
Rozés LBV 1995
Delicado. Não está mal. Nem bem demais. Modesto mas honesto. 80
terça-feira, janeiro 18, 2005
terça-feira, janeiro 11, 2005
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Acidez muito bem colocada, que compensa a doçura melosa típica deste tipo de vinhos, a que a botrytis dá magia. Corpo denso e rico. Como aperitivo requererá uma entrada forte. Foi excelentemente com foie-gras. 90
Labirinto Alvarinho 2002
Talvez um pouco agridoce, o que o torna agressivo em temperaturas baixas e enjoativo se aquece. Aroma muito herbáceo. 75
me e jbc selections Douro tinto 2001
Modelo acabado de modernidade que, apesar disso, não recusa a origem duriense. Corpulência no travo de terra húmida (da touriga nacional), já prenunciado pelo aroma. 89
Alambre 20 anos
Moscatel de Setúbal seco e acutilante, sem deixar de ser delicado. Bom impacto na boca, com algum travo de açúcar mascavado. 85
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Três bagos e sauvignon blanc. Branco pujante, com' uma fórça, diria a Nelly. Flores madrugadoras de primavera. 85
Alión 2000
Ribera del Duero com textura muito personalizada e espessa. Puro e duro. 90
Ramos Pinto Vintage 2000
Delicado e doce, sem arestas. Talvez um pouco curto, no final. O preço está um pouco inflaccionado. 85
segunda-feira, janeiro 03, 2005
Grande complexidade de sensações. Delicado, embora solene. É um vinho sério.
Cortes de Cima Syrah 2002
Correspondendo às características da casta, é potente e fundista. Mastiga-se. Pareceu bem.
Grand' Arte Touriga Franca 2002
Talvez seja por ser novo. Ou das especificidades da casta. Está agreste e precisa de abrir. Evoluindo, mesmo que copo, torna-se bastante mais agradável.
Quinta da Alorna Chardonnay 2003
Gordo e arredondado. Não tem arestas amanteigadas e amadeiradas. Irá bem como aperitivo, sem mais nada.
Quinta do Ribeiro Santo Reserva 2000
Quente, sem ser pastoso. Bastante mineral e rico. Dão da velha escola tradicional.
Cartuxa Reserva 1994
Nobre, à antiga portuguesa, um pouco demodée. Apesar disso, respeitável. Imprescindível decantar com cuidado.
quinta-feira, dezembro 30, 2004
Da casa que faz o Ameal. Verde branco ligeiro e muito fresco, sedoso e delicado. Ar de verão, que pode apelar a comida de verão. Retemperador, no interlúdio das festas de inverno.
Loureiro 2003
Da Adega Cooperativa de Ponte de Lima. Um pouco agressivo e agridoce a mais. Rude, do campo. Como os lenhadores.
Cortes de Cima 2000
Aroma intensíssimo de fruta vermelha, que acompanha o travo alongado, muito frutado. Grande vivacidade. Vinho moderno e muito dinâmico.
quarta-feira, dezembro 29, 2004
Tinto VQPRD Valpaços, já anteriormente aqui referido. 14,5º de corpulência. Será a retoma (fora da Adega Cooperativa) da tradição nobre dos vinhos de Valpaços? Este, ainda terá que esperar algum tempo para revelar a sua dimensão.
Pera Manca Branco 2001
Nunca demais repetir. Aroma incisivo. Irrepreensível concerto de equilíbrio e harmonia.
Solar de la Vega Verdejo 2003
Grande aroma de maracujá, que se prolonga na boca, num travo de marcada fruta, em que a doçura está bem dimensionada com a acidez. Está no ponto.
Confrerie des Gourmets Bordeaux 1998
Palhete franciú, sem consistência nem especificidades que mereçam nota. Se os estrangeiros não tivessem, por imposição do fado lusitano e pela natureza das coisas, privilégios óbvios em Portugal, este tinto não se beberia.
Albariño Dionisos Rias Baixas 2002
Algo verdasco e rude. Mas óptimo no género, com bom pico de acidez fresca e gorda
sábado, dezembro 25, 2004
Tinto potente, de 14º. Vinho de grande elegância. Forte e quente, rico de sabores e travo muito adstringente. Foi excelentemente com um cabrito no forno.
Reserva Especial Ferreirinha 1990
Por falar em cabrito no forno, este clássico foi ainda melhor. Mineral e linear. Acutilante, de grande elevação. Óptimo.
Montes Ermos Reserva 2001
Vinoso e agreste, este tinto de Freixo-de-Espada-à-Cinta está talvez ainda um pouco verde e adstringente.
Casa do Arco 1990
Equilíbrio entre o carácter mineral, do “terroir” e a corpulência da terra quente transmontana. Resultado elegante. O segredo deste vinho está em abrí-lo no dia anterior, para que respire. Talvez tenha sido o último moicano da Adega Cooperativa de Valpaços.
Quinta de Santa Bárbara Porto Tawny Colheita 1986
Muita madeira e nobreza. Registo tradicional, de caramelo e canela. Back to basics, mas muito agradável.
Quinta de Santa Bárbara LBV 1999
Cerejas maduras, em vinho muito estruturado.
Ramos Pinto LBV 1997
Porto não filtrado e portanto perigoso, pelas consequências. Pelas mesmas razões é muito rico e substancial. Travo de chocolate, algo picante. Vivaço e intenso. Bom vinho.
Dom Salvador Alvarinho 2003
Muito aromático, de travo rico. Honesto, sem concessões, embora não chegue a ser exuberante.
Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2003
Branco freco e acutilante. Só revelará a sua riqueza a uma temperatura menos fria.
Encostas do Rabaçal Trincadeira Preta 2002
Vinho modernaço, da escola Joanne Harris, porque tem travo de batatas cruas e, eventualmente, nabo. 14,5º!
Encostas do Rabaçal Touriga Franca 2002
Chocolate preto, sem açúcar, tipo Celeiro. Algum mofo, também. Talvez fosse da garrafa.
segunda-feira, dezembro 20, 2004
Tinto do Douro, que não esconde a origem terrosa. É másculo, de personalidade muito segura de si. Adstringência intensa. Ainda é muito novo. A beber-se já, deve ser decantado e arejar um pouco em copo largo. Podendo, deixe-se envelhecer. Ganha com comida (LP dixit e muito bem dito).
Síbio Vintage 1970
Este porto da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal tem um aroma pujante, mas muito delicado. Revela uma harmonia muito doce e nobre, com forte mas delicado travo de caramelo. Desenterrado do passado, é um vinho de outra dimensão.
Quinta de Cabriz Reserva 2000
Delicadeza e equilíbrio enérgico. Polpa fresca e rica.
quinta-feira, dezembro 09, 2004
As castas, são das mais tradicionais no Douro: tourigas (nacional e franca) e tintas (roriz e barroca). O perfil é o de um genuíno Douro. É agreste e musculado. Nada quente ou preguiçoso. É muito afirmativo e tem grande personalidade, que vai deixando demoradamente na boca. Rico de sabores, mais que de aromas. Deve repousar antes de ser servido.
Esporão Branco Reserva 2003
Muita madeira, num corpo gordo. Travo intenso e pujante.
Francisco Nunes Garcia Reserva 2001
Chocolate amargo no estado líquido. Grande sofisticação e elegância. Vinho de excelência.
Vinha Grande 2001
Aroma muito jovem e másculo. Em geral, este é o tom deste vinho: verde e adstringente.
Pêra Manca Branco 2002
É um risco dizê-lo, mas é o melhor branco até agora aqui blogado, concedendo que quando o nível é o da excelência o critério está no gosto de quem prova. Compará-lo com o Redoma, por exemplo, é igual a perguntar se é melhor ir de férias para o campo ou para a montanha. Garrafa nº 26.731, que curiosamente ganhou com um ligeiro arejamento. A nobreza esmaga (ou serão os 14%?). Harmonioso e irrepreensível. Que elegância e sofisticação!
Marquês de Borba tinto 2003
Os 13,5% notam-se no corpo e no vigor. Rico no sabor e vivaço. Talvez venha a tornar-se mais delicado com o tempo. Exige acompanhamento de comida condimentada.
segunda-feira, novembro 29, 2004
Há quem inclua os chardonnay australianos nos melhores do mundo. Este, é óptimo. Tem um equilíbrio assombroso entre a frescura e o sabor. O seu corpo consistente torna-o num excelente vinho para beber sem acompanhamento.
Encostas do Tua Grande Escolha 2000
A juventude ainda o marca muito. Por isso, é enorme a sua adstringência explosiva que ainda não deixa aperceber os sabores que após a maturação que lhe falta revelarão um seguramente excelente vinho.
sexta-feira, novembro 26, 2004
domingo, novembro 21, 2004
Cabeça de Burro Branco 2003
Para beber estupidamente frio, como aperitivo. Vai bem só. Melhor que acompanhado.
Luís Pato Rosé Baga 2003
Definitivamente, os melhores vinhos rosé que se produzem são os feitos a partir de castas tintas. É o caso deste, que tem consistência e corpo pouco habituais num vinho descolorido. Fruta madura. Talvez maçãs. Muito agradável.
Noval LBV 1996
A velha escola do vinho do Porto. Poderoso, com travo de bagas silvestres. Sofisticado e delicado. Acetinado, apud LP.
sábado, novembro 20, 2004
Regional Terras do Sado, que poderia figurar com destaque num “comparativo de vinhos de self-service de auto-estrada em meia garrafa sem data”. Noutras circunstâncias não se beberia, mas não é mau. É assim tipo automóvel citadino: vai servindo para o dia a dia e tem a enorme vantagem do preço
terça-feira, novembro 16, 2004
terça-feira, novembro 09, 2004
(provas em contra-relógio)
Gazela
Verde fresco e doce. Carnudo e, se muito frio, um agradável aperitivo.
Quinta do Ameal Escolha 2003
Verde branco, muito floral. Sem arestas. Aprazível.
Barcelo 2003
A Quinta das Maias decidiu recuperar uma velha e quase extinta casta do Dão. Vale pela curiosa raridade. Na sua essência, não consegue deixar de ser um modesto produto regional.
Muros Antigos Alvarinho 2004
Prova preliminar da segunda escolha dos Muros de Melgaço. A tenra idade dá-lhe mais frescura do que é hábito em alvarinhos. É também mais frutado, o que se anota com agrado. Dizia o LP – concordo – que, sem desprimor, faz recordar os albarinõs da Galiza.
Casa da Palmeira 2001
Tinto do Douro, acre e um pouco agressivo.
Grand’ Art Alicante Bouschet 2003
Com 14 %, este vinho espesso tem travo dominante de chocolate, com notas de frutos silvestres – amoras, talvez. Mas ainda tem algum percurso a fazer até perder a adstringência e ganhar delicadeza.
Grand’ Art Trincadeira 2003
É menos alcoólico (13,5) que o Alicante Bouschet e já se nota muito mais bebível. Enche a boca de taninos e sofisticação. Grande vinho.
Esporão Touriga Nacional 2002
Sinfonia poderosa (15%), sem notas dissonantes ou desafinações. Não tem defeitos.
Esporão Private Selection 2001
Tinto apimentado e adstringente. Já é distinto, mesmo de excelência, mas ainda vai evoluir. 14,5%.
Rovisco Pais Reserva 2001
Castelão Francês, acre e ácido. Poderia qualificar-se como um vinho terra a terra.
Bridão Reserva 2001
Apesar de ser musculado (14% de teor alcoólico), é delicado.
Tapada de Coelheiros 2001
Grande aroma, mas travo muito agreste.
Monte Seis Reis Syrah 2003
Força e corpo.
Herdade de São Miguel 2003
Regional alentejano, quente e envolvente. 13,5 % de teor alcoólico.
Cistus Touriga Nacional 2002
Cistus Tinta Roriz 2002
Dois belos néctares para envelhecer.
Herdade do Perdigão Reserva 2000
Tinto mediano.
Quinta do Portal Grande Reserva 2000
Douro rico, com boa personalidade.
Quinta do Portal LBV 1995
Porto com travo de chocolate picante, muito intenso, o que espanta num vinho com esta idade.
Fonseca Vintage 1985
Porto de excelência, acutilante e incisivo.
domingo, novembro 07, 2004
sábado, novembro 06, 2004
Poeira 2002
No início, numa primeira impressão, surge uma potente e descontrolada explosão de sensações. Depois, fica uma grande elegância no comportamento na boca. A seguir, impressiona a riqueza de sabores e o final persistente. 13,6º. Belíssimo. Ao melhor nível.
Quinta de Vale Meão 2002
O aroma, no nariz, é intensíssimo, mas na boca nota-se que os portentosos sabores (14,5%) ainda estão em crescimento. Já é muito agradável, mas em garrafa melhorará muito. Vai ser um vinho de excepção.
Quinta do Noval LBV 1996
Muito agradável e rico.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Regional Alentejano (JM da Fonseca) fresco e nervoso, quase saltitante. Talvez um pouco adocicado e com falta de acidez. Depois de arejar, acalma e sedimenta sabores de fruta fresca. Talvez seja o primeiro tinto de gaja de um futuro comparativo.
Vinho da Casa Cantinho Regional Serra da Estrela
Dão de 2001 de 12 grauzitos mal espremidos. Duro, muito duro.
domingo, outubro 24, 2004
Branco liso, com apenas ligeira agulha. Perfeitamente urbano e delicado. Quase hermafrodita. Foi bem com melão com presunto.
Cerejeiras 2002
Branco Regional Extremadura da zona do Bombarral. Típico vinho da terra, com corpo carnudo a recordar ameixas. Deu consistência a umas ameijoas à Bulhão Pato pequenas e saboras.
terça-feira, outubro 19, 2004
segunda-feira, outubro 18, 2004
Regional Alentejano segundo J M da Fonseca. Moderno, mas de raiz tradicional (parcialmente fermentado em barro). Além de trincadeira e de aragonês, é feito de Grand Noir. Será por isso que é mais urbano e profissional (custa-me – e não merece -, chamar-lhe cinzentão…).
Quinta dos Aciprestes tinto 2001
Aroma rico, intenso e elegante. Travo musculado, talvez mais modesto que o aroma, mas ainda assim corpulento, a dar bem conta dos 14 graus. É jovem e cheio de pujança. Exigirá, por isso, decantação, para que os sabores se libertem das névoas próprias de um vinho novo.
quinta-feira, outubro 14, 2004
Branco de Rueda, com aroma e travo de maracujá, dizia o LP e eu subscrevo inteiramente. Esta intensidade tropical, fresca e sedosa, é difícil de combinar com comida. Mais valerá bebê-lo sem acompanhamento (mas, como sempre, ganhará se for bebido com companhia – tropical, maracujá, calor, ‘tá a ver?…) e perfila-se como um excelente aperitivo.
Quinta das Maias Verdelho 2000
Envelheceu e ganhou travo de pastilha elástica. Não sei se de amora silvestre, se de clorofila. Corresponde à velha ideia do branco velho tinto e geropiga (com peixe frito).
segunda-feira, outubro 11, 2004
Tinto delicado e nada rude, mas determinado. Sofisticado e com carácter, que não esconde a proveniência do Dão. Apesar disso, tem corpo moderno.
Quinta da Alorna Chardonnay 2003
A potência alcoólica (14%) não se apercebe e não prejudica minimamente a suavidade acetinada deste vinho tão agradável como insidioso.
domingo, outubro 10, 2004
Prova comparativa vertical de quatro alvarinhos do mesmo produtor, de quatro colheitas consecutivas. O objectivo era verificar a evolução da maturação e a longevidade. A prova foi rigorosamente cega, mas a cor e, sobretudo, o travo muito diferenciado dos vinhos, permitiram ao painel especial de provadores identificar facilmente qual era qual.
2000
Muito suave (St), nobre e velho, com grande dignidade (PV). Perdeu timbre, porque algumas das suas originais características já estão ténues (CBX). Apesar disso, continua fresco, complexo e harmonioso, embora seja claro que perdeu força e está já em declínio (LP). Está passado (A).
2001
Pouco doce (CBX), mas complexo (St). Está no ponto (LP), embora seja pouco fresco e algo seco, talvez mesmo acre (PV). Sabe a rolha (A).
2002
É o mais equilibrado do painel (CBX), com boa composição de sabores (St). Grande aroma, a prenunciar o, sem dúvida, mais complexo e intenso dos vinho provados, com um longo final (LP). Atingiu o ponto máximo da sofisticação (PV). Picante, talvez borbulhante, como se tivesse adicionada gasosa (A).
2003
Aroma exuberante, talvez reminiscência dos albariños galegos (LP), acidez equilibrada (St), leve e frutado (CBX), embora ainda verde, com caminho a percorrer, indo melhorar (PV). É o melhor do painel (A).
sábado, outubro 09, 2004
quinta-feira, outubro 07, 2004
Este tinto da Ribera del Duero tem 14% de teor alcoólico. Não denuncia o álcool nem a idade, tendo um aroma jovem e vigoroso, que fica no copo até ao fim. O travo é consistente, ligeiramente adstringente e intenso. Canta na boca e ecoa no peito, largando pelo caminho um rasto persistente de aromas.
segunda-feira, outubro 04, 2004
O nome é o da mãe de Maria Adília, a produtora, muito sensibilizada para os assuntos relacionados com os doentes de Alzheimer. Aliás, segundo o contra rótulo, parte dos proventos resultantes da venda são encaminhados para a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer. Sendo um Douro, é engarrafado na Maia.
O travo é de fruta ainda não madura. É novo e melhorará com algum tempo.
É um VQPRD Via Norte, dizia o Fernandinho. Segundo o Maestro, foi a relva de um bom terreno de jogo, em que os futebolistas foram os queijos, mas estará melhor por altura do baptizado do segundo filho da Susana e do Nuno. Belo recorte de prosa, resultado de uma correcta leitura do entrosamento do líquido, concluiria G. Alves.
domingo, outubro 03, 2004
É o primeiro VQPRD Valpaços não produzido pela Adega Cooperativa (foi feito na Quinta do Sobreiró de Cima). É robusto e musculado (14,5%). Travo de maçãs camoesas. É ainda um pouco palpitante, por ser novo e talvez lhe faça falta repousar um ano ou dois. Mas já se bebe com agrado.
Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2001
Tinto policromado, com um óptimo impacto inicial. Após algum tempo no copo, o espírito vai fugindo e termina num final acre.
LBV Pingo Doce 1997
Não será muito complexo mas, sem pretensões, é suficientemente rico, suave e delicado.
sábado, outubro 02, 2004
Equilíbrio muito consistente de sabores ricos variados.
Couteiro Mor Antão Vaz 2003
Adocicado, sem ser desagradável.
Couteiro Mor Tinto Colheita Seleccionada 2001
Potente mas delicado, enche a boca e deixa atrás de si um esteira final com personalidade.
Quinta da Alorna Cabernet Sauvignon Reserva 2001
Clássico travo de cabernet, com sabor a terra.
quinta-feira, setembro 30, 2004
A combinação da acidez do arinto com o travo amanteigado da casta francesa está bem equilibrada. Tem corpo suficiente e agradável, mas no final é curto. É macio e delicado, apesar dos seus 13% de teor alcoólico - torna-se por isto insidioso. Enfim, é um vinho geneticamente feminino ou, se me é permitido, um verdadeiro vinho de gaja.
sábado, setembro 25, 2004
(Prova intensiva, a propósito do 8º aniversário das Coisas do Arco do Vinho)
Cruz Miranda Colheita Seleccionada 2001
É o raro caso de um varietal de alfrocheiro, produzido no Alentejo. O resultado é óptimo. Aroma muito efusivo, que se expande persistentemente. O travo, recorda a terra fresca, depois das primeiras chuvas de Outuno. A estrutura é harmoniosa e complexa. O final é longo e intenso.
Caves São Domingos Cabernet 2000
Irrepreensível. Denso e complexo. A adstringência arrasta-se pelo final.
Caves São Domingos Touriga Nacional e Baga 2001
DOC Bairrada, que terá que ser decantado e agradecerá um copo largo. Uma vez aberto, é liso e linear, mas rico e consistente.
Granja dos Frades 2003
Branco à antiga, com 13% de teor alcoólico. Denuncia o carvalho onde estagiou, embora por si mesmo já seja vegetal e substancial. Algo acidulado. O seu enólogo não revela as castas que o compõem (são duas, numa relação de 7/3). Aceitam-se apostas. Arinto? É provável. Chardonnay não parece. Alvarinho, dizia o LP.
Caves São Domingos Bical e Maria Gomes 2000 e
Caves São Domingos Bical e Maria Gomes 2002.
Este bi-varietal, à antiga bairradina, recupera a tradição do branco velho. O vinho tem que amadurecer. E, mesmo maduro, deve decantar-se, para que liberte a sua rudeza. Por isso, o 2000 era agradável e o 2002 ainda está agreste. O 2000, após decantação, é nobre e solene, mas deve ser mantido em temperatura baixa, para que o seu delicado verniz não estale. Vantagem para o 2002, na vivacidade.
sexta-feira, setembro 24, 2004
Este tinto, Terras do Sado, passado que está o verão e provados que vão uns quantos vinhos franceses, faz mais diferença, pelas suas características específicas, comuns a outros vinhos da região. Mas também se afirma mais como uma boa relação preço/qualidade. Insisto que deve beber-se bastante frio.
quinta-feira, setembro 23, 2004
quarta-feira, setembro 22, 2004
Este tipo de vinho, já se sabe, bebe-se leve, levemente. Fresco, é mesmo agradável. Os 12º são ligeiros, mas apesar disso revelam alguma personalidade e substância. Se houvesse vinho no Mc Donalds, seria deste tipo.
Jacob´s Creek Shiraz Cabernet Vintage 2001
Muito nome para pouco vinho. De Barossa Valley, South Austrália, este tinto é algo picante e nervoso. Tem uma personalidade rugosa, do Novo Mundo. No Corte Inglês, onde foi comprado, dir-se-ia dele que esta bien. E não mais.
segunda-feira, setembro 20, 2004
sábado, setembro 18, 2004
Após meados da década de 1980, a Adega Cooperativa de Valpaços deixou-se decair. Já se tem dito por aqui que os seus vinhos já tiveram melhores dias. Agora, até o Berto, velho conhecido free-lancer da agro-indústria local, concede que este líquido algo sulfuroso (apesar da idade) e acre, já “enfraqueceu”.
sexta-feira, setembro 17, 2004
Château Tour Saint-Christophe 2001
Este AOC Médoc tem uma grande (enorme) adstringência, que esconde algum travo de groselhas. É um daqueles tintos clássicos de Bordeaux que deveria ser bebido mais envelhecido.
Domaine Allimant-Laugner Brut
Espumante francês, não champagne, produzido ao lado, na zona de denominação de origem (AOC) “Crémant d’ Alsace”. Talvez por isso seja demasiado gasoso e, mais que bruto, um pouco rude e agreste. Bem frio, aguenta-se até ao segundo copo.
Château La Croix du Duc 2000
Eis um tinto Bordeaux Supérieur claramente da era pós-Parker: 13% de teor alcóolico; manifesta alguma complexidade. Apesar disso, ainda se fica pelo impacto inicial, porque não tem notas finais. A não ser as dos taninos, muito marcantes.
quinta-feira, setembro 16, 2004
Riesling da casa - Taverne de Maitre Kanter de Strasbourg
Grande acidez, com algum travo herbaceo. Apesar disso fica harmonioso, envolvente e agradavel se for servido em copos largos (sera o caso daqueles copos tradicionais da Alsacia, com pe verde, especificos para este tipo de vinho).
Bouquet du Comtat
AOC Cotes du Rhone. Tinto delicado e adocicado, nao muito consistente. No final, porem, revela alguma adstringencia complexa, que permanece, deixando algum travo de fruta madura. Este vinho e mais do sol que do sul.
quarta-feira, setembro 15, 2004
PS: ao lado esta uma colega romena, com os olhos azuis mais bonitos que se podem encontrar numa cigana...)
Louis Eschenauer Merlot 2003
Tinto do Pays d' Oc, de baixa graduacao muito jovem e cheio de vigor. Travo de amoras frescas, pouco maduras. Novo, deve beber-se um pouco fresco. para a Air France nao esta mal.
Les Hauts de Goelane
Outro tinto, agora AOC Bordeaux. Clarete tradicional, a antiga bordalesa. Algo taninoso, no inicio denuncia um pouco a madeira, que lhe da alguma complexidade, que depois de arejar perde.
quinta-feira, setembro 09, 2004
Tinto espanhol da região de Toro. Frio, revela um grande aroma e delicadeza subtil. Quando aquece, os 14,7% manifestam-se, colam-se ao palato e o vinho torna-se potente e arrasador. É um vinho de tradição.
Vinha Paz 2002
Tinto do Dão, àspero, a saber a Beira Alta. Consistente e denso, carnudo, de aroma cheio.
Alvarinho Deu la Deu 2002
Ao contrário do que se previa, a acidez já acusa tempo a mais. Foi domesticada mas, embora já sem fogosidade, ainda se contrapõe com equilíbrio ao travo adocicado.
Quinta da Gaivosa 1999
Douro tinto à antiga. Tradicional, muito bem feito, sem reparos. Acutilante e adstringente, picante na medida certa.
sábado, setembro 04, 2004
terça-feira, agosto 31, 2004
Verde, branco. Muito frutado, citrino. Fresco e muito apetecível.
Verde da Quinta de Esporões.
Tinto do ano, colhido pelo caseiro. Espuma abundante a anunciar o gás e a pastosidade. Deixa bastante resíduos no copo, não ficando dúvidas quanto à ressaca que se verificará.
Porto da Pipa Particular dos Confrades
Com origem na Quinta do Portal, este vinho de 2000 foi engarrafado por ocasião dos 15ºs Encontros Enológicos do Norte de Portugal, em Janeiro de 2004. É suave e delicado. Equilibrado e com carácter.
domingo, agosto 29, 2004
sábado, agosto 28, 2004
Comparativo Vinhos de Gaja
Brancos, da zona de Palmela, Terras do Sado ou Ribatejo, simples e de interpretação fácil. Pouco exigentes e de travo consensual.
Companhia das Lezírias Fernão Pires 2003
Herbáceo e intenso, consistente e másculo (tem 13 grauzitos). É um monocasta, bem feito e equilibrado. Adequado, se a companhia está mais interessada em alargar o seu conhecimento sobre o vinho do que sobre quem lho oferece. Portanto, sendo vinho de gaja, é para amigas.
Serras de Azeitão 2003
Ligeiro, ligeirinho, mas está lá. Muito fresco. Flores e fruta tropical, dizia o rótulo, consequência natural do Fernão Pires e do Moscatel. Não é leviano. Será portanto adequado se a companhia já ouviu falar do tema, está familiarizada com a linguagem e já tem bebido uns copitos, mas apesar disso ainda só tem como único critério o vinho ser bom ou mau. Neste contexto parece ser de toda a conveniência, previamente, decorar as castas e antecipar a opinião sobre o travo.
BSE 2003
A mistura das castas (fernão pires, antão vaz e arinto) dá-lhe garra. O vinho tem muita fruta e corpo equilibrado. Não prescinde de uma temperatura muito baixa, uma vez que quando aquece fica acre. O rótulo diz “apreciar moderadamente em boa companhia”. É, evidentemente, uma dica a aproveitar. E ficam dissipadas as dúvidas sobre as razões que levaram a incluir este vinho neste painel. Além do mais, em caso de tampa, salva-se o vinho.
João Pires 2003
And the winner is… O vinho de gaja por excelência!
Todo ele de moscatel de Setúbal. Sabe a uvas, em forma líquida. Até chateia, de tão doce. Parece um Asti (se se ler Ice Tea, dá igual…). Use-se, se a companhia não bebe habitualmente e estava a pensar pedir uma Coca-Cola Light.
sexta-feira, agosto 27, 2004
Embora discreto, este Porto não é um vinho menor. Muita fruta e aquele ligeiro picante que deixa rasto na garganta. Decante-se, ou deixe-se arejar e verificar-se-à que ganhará corpo e espírito.
Fonte da Serrana 2002
Tinto do Alentejo, musculado e com carácter mas, embora honrado, de modesta dimensão.
quinta-feira, agosto 26, 2004
domingo, agosto 22, 2004
sábado, agosto 21, 2004
CARM Praemium 2000
Tinto de nariz cheio e penetrante. Sabor picante e amargo. Vinho de nível superior.
Chryseia 2001
Travo de baunilha, ligeiramente ácido, que lhe dá agressividade e carácter. Mastigável e denso. Tinto de excepção.
Real Companhia Velha Vintage 1997.
Porto harmonioso e muito equilibrado. Grande impacto inicial. A boca fica cheia, mais de sensações do que de sabores concretamente identificados. Algo de picante. LP dizia figos. Talvez tenha sido o melhor Porto da temporada de verão no Carvoeiro.
sexta-feira, agosto 20, 2004
Tinto à antiga portuguesa. Sabe a tradição e recorda o ambiente das adegas do Douro. Transparente e cristalino, acusa notas de couro.
Porto Krohn LBV 1999
Ligeiro e estival, descomprometido e informal. É equilibrado e harmonioso.
Pontuação
LP: 16
F: 15,5
Manuel: 14
PV: 16
quinta-feira, agosto 19, 2004
Tinto de João Portugal Ramos, com teor alcoólico de 13,5º. Alentejano da velha escola. Boca cheia de sabores bem sedimentados, que disparam em todos os sentidos.
Encostas do Rabaçal Touriga Franca 2002
Os varietais da Adega Cooperativa de Valpaços são muito quentes e alcoolizados. Este tem 14º. É picante e telúrico, grosso e espesso. Parece um vinho fortificado. Vai bem só e, dir-se-ia mesmo, dispensa companhia.
Blandy´s Harvest 1996 (Malmsey, Madeira)
Aroma distinto e sofisticado, a que corresponde um travo nobre e solene. Algo de canela e caramelo. Tradicional q.b., sem desmerecer. Encerrará adequadamente repasto de cerimónia.
quarta-feira, agosto 18, 2004
terça-feira, agosto 17, 2004
Evidentemente, todos eles vinhos brancos, produzidos no País Basco Espanhol.
Sónia, a simpática balconista da loja de produtos regionais Basendere, em Bilbao, preferia o Gorrondona.
Basigo´ko Basetxea
10,5º. Produzido em Basigo de Bakio, Bilbao (D.O. Biskaiko Txakolina).
Mais floral que frutado e fresco. Um pico de gás, quase imperceptível. Densidade de açúcar certa, que o torna menos leviano que outros.
Xarmant
11,5º. Produzido em Alava (D.O. Arabako Txakolina).
A garrafa tem uma decoração exuberante e criativa, condizente com o sabor celta, a maçãs de casca verde, muito maduras. Como tem muita polpa, este vinho não é fresco. Vai bem com tapas do mar (de peixe, mariscos ou crustáceos).
Gorrondona
11,5º. Produzido em Bakio, Bilbao (D.O. Biskaiko Txakolina).
Fresco e liso. Suave e delicado, podendo ser cosmopolita. Simples e agradável. Mas nada mais.
segunda-feira, agosto 16, 2004
Marcadamente ambrée, com espuma persistente, esta cerveja belga, produzida na fronteiriça abadia holandesa de Koningshoeven, tem 10º. É robusta e corpulenta, como os monges que a fazem. Apesar disso, é suave e delicada (talvez mesmo insidiosa…) e o teor alcoólico só se nota depois.
quinta-feira, agosto 12, 2004
Tinto de Cariñena, com 13 graus. É jovem e irrequieto, com travo muito amargo e adstringente, a sugerir avelãs e fruta verde.
Coto Haias, 2003
Outro tinto moderno, de Campo de Borja, também com 13 graus. Menos sofisticado e carnudo, sabe a fruta vermelha.
Castillo de Soldepeñas
Um Valdepeñas de self-service de autoestrada. Nem tem data. Adstringente como a casca de um melão. Apesar disso, equilibrado e bem feito, sem defeitos, mas também sem grandes virtudes. Fresquinho, foi agradável.
quinta-feira, agosto 05, 2004
Regional alentejano, da Fundação Eugénio de Almeida. Frescura e juventude. Predomínio grande do sabor a uvas. Quente como a terra onde foi colhido. Adstringência muito presente, mas certa para uma refeição de pratos tradicionais do sul.
Martinez LBV 1997
Boca muito agradável e preenchida. Taninos bastante domesticados e dóceis. O picante deste Porto arrasta-se tranquilamente num final incisivo.
quarta-feira, agosto 04, 2004
Este Porto foi ofertado, num lote de cinquenta, há quarenta anos, como prenda de casamento, a uma de nós (desencantem-se as casadoiras donzelas: estamos todos fora do prazo de validade, com excepção de uma irredutível aldeia gaulesa...). Foi colhido e feito em Freixo de Espada à Cinta, nos limites da zona demarcada do vinho do Porto e dele não se sabe mais. A sua idade exige os carinhos de um ansião e tem que ser apreciado nessa perspectiva. Na comparação com os vinhos modernos, Perry Mason apenas diria no further comments.
É uma preciosa peça de arqueologia vinícola.
Muito floral e de travo aromático. Frio, vai melhor. Quando a temperatura sobe, fica mais doce. Talvez demasiado doce. Sublinhe-se a circunstância de, sendo produzido fora da região demarcada, se bater de igual para igual com os restantes alvarinhos do mercado. E, last but not least, sai cum laude.
Pontuação
Ana: 15,5
LP: 16
PV: 15
terça-feira, agosto 03, 2004
Consistência e equilíbrio com a adstringência certa. Algo seco, é mais delicado que o comum dos Alvarinhos, dos quais tem o carácter, sem ter a sua exuberância.
Burmester LBV 1998
Picante e discreto, este Porto é incisivo e mais elegante que vigoroso. Tem a distinção dos grandes vinhos.
segunda-feira, agosto 02, 2004
domingo, agosto 01, 2004
sexta-feira, julho 30, 2004
Tinto que desliza muito bem e satisfaz. Travo muito intenso de fruta.
Quinta da Lixa Loureiro 2003
Verde frutado e consensual, com corpo muito equilibrado.
Dalva LBV 1998
Porto superior, mas curto. Bebe-se bem. Tem o picante certo para depois do almoço de verão. Harmonia muito agradável.
Vinha Conchas Tinto 2003
Concentrado de vinho, potente e expansivo. Enche a boca e é um excelente compromisso preço qualidade.
Grand'Arte Trincadeira 2003
Forte e denso, mas nada rude. Corpulento e quente. Grande adversário para um almoço prolongado.
quarta-feira, julho 28, 2004
Sólido e rico. Impõe-se pela frescura, mas é também muito consistente. Também tem que destacar-se a versatilidade. Acompanha bem com qualquer coisa. Não vai é sozinho. O vinho do espírito do verão.
Pontuação
LP: 16
Ana 15,5 e não mais porque não é feminino
F: 16,5, pelo excelente preço
PV: 15,5
Vinha Padre Pedro 2001
Não é fácil encontrar um tinto com um ramalhete tão policromado de aromas. Bebe-se com a agradável curiosidade de quem não resiste à tentativa de descobrir e desemaranhar sabores.
Dalva LBV 2000
Este não é um Porto clássico. Travo a ervas aromáticas. Mesmo muito fresco (imprescindível), sabe ao calor do verão.
Pontuação
LP: 17,5
PV: 17
terça-feira, julho 27, 2004
Experiência sazonal de uma noite de verão.
Quinta da Giesta 2003
Rosé vinificado a partir de uvas de touriga nacional, desengaçadas algumas horas após a maceração. O aroma é muito floral, mas masculiniza-se na prova. Travo consistente, apesar de o vinho ser leve, fresco e adocicado. Não é um leviano rosé de verão.
Pontuação
Ana: 15
LP: 15,5
PV: 15
Vinha da Defesa 2003
Tem personalidade e corpo. É de facto vinho, feito de uvas tintas. Talvez peque pelo excesso de açúcar que, se não estiver gelado, lhe dá um travo pastoso e acre. Bom vinho de verão.
Pontuação
LP: 15
A: 15,5
F: 14,5
PV: 14
Sairrão – Quinta do Picoto 2003
A frescura é a nota mais saliente. Por isso, deve beber-se muito frio, para não se tornar pastoso. A frescura não afasta alguma complexidade no sabor, que lhe dão personalidade. Ligeiro, é um agradável vinho de verão.
Pontuação
Ana: 14
LP: 13,5
PV: 13
Murganheira Rosé 2003
O vinho está bem feito. É leve e fresco. Tem espírito de férias de verão e bebe-se bem. Mas não convence.
Pontuação
Ana: 11,5
LP: 13
F: 12
PV: 12
Quinta do Castelinho Rosé 2003
Nota-se muito que é feito de castas tintas. Acre e um pouco duro, a raiar o rude. O Douro não está feito para rosés.
Pontuação
Ana: 11,5
LP: 12,5
PV: 12
Vale dos Pombos, Rosé 2003
Muita acidez, em pouco corpo. A Quinta da Lixa sabe fazer melhor.
Pontuação
Ana: 11
LP: 12,5
PV: 11,5
Vale dos Pombos, Espadeiro 2003
Fusão de vinho verde com rosé. Feito de uvas tintas (parece impossível fazer-se rosé de um vinho tão duro), é fugaz e muito leve. Tão leve que nem se dá por ele.
Pontuação
Ana: 10
LP: 12
PV: 11
segunda-feira, julho 26, 2004
O sabor da terra. Quente e possante. Ribatejano à antiga portuguesa deu grande luta a uma monumental parelha de bifes de vaca.
Pontuação
Ana: 15
LP: 15,5
PV: 15
Solar de la Veja - Verdejo
De Rueda, musculado e com corpo, vegetal e herbáceo. Dizia a Ana que “na relatividade da refeição ganha mais do que objectivamente poderia conseguir conseguir, noutro contexto”. Serviu, na perfeição, para acompanhar umas beringelas fritas e um camembert rebozado, aquelas segundo Francisco José Viegas e este, ainda segundo o Chico Zé, de Pepe Carvallo.
domingo, julho 25, 2004
Este tinto de Somontano sobreviveu, sem sobressaltos, às obras da garagem. Sendo um varietal de cabernet-sauvignon e merlot, domina o primeiro, o que se nota no corpo e intensidade. O cabernet dá-lhe também o travo e o aroma insidiosos, característicos da casta. É um bom vinho, muito profissional, embora intemporal e apátrida.
sábado, julho 24, 2004
Tinto do terroir (Adega Cooperativa de Reguengos), com travo a groselhas pouco maduras, a lembrar um vinho jovem. É também jovem a sua adstringência. Quanto ao demais, é um vinho alentejano, de botas e capote, que deve beber-se arrefecido para compensar a intensidade.
Quinta do Castelinho Porto LBV 1996
Aroma algo alcoólico. Este vinho veio de pipas com grande experiência, e ainda teve uma evolução na garrafa. Harmonioso e não dissonante, é discreto e não dá nas vistas. Alguma fruta, que lhe dá frescura – ou será o inverso ? Conjunto delicado mas com suficiente vivacidade para o tornar interessante.
quinta-feira, julho 22, 2004
quarta-feira, julho 21, 2004
Um Rueda espesso e muito vegetal, com travo de fruta muito madura e intensa. Foi provado no verão de 2003 (post de 18 de Agosto) e LP previa que ganharia com a passagem do tempo. Até agora, não parece. A menos que tenha sido prejudicado pelas obras na garagem.
Messias Seco Aloirado
Este Porto, não datado, mas há seguramente mais de trinta anos na garrafeira paterna, é extraordinariamente seco. Chega a ser agreste e antipático. Talvez vá bem com um cubito de gelo.
segunda-feira, julho 19, 2004
Colheita privada, de 2002. Vinho de lavrador, espesso como café – aliás, tem uma suspensão parecida com a do café de saco. Dantes, era vinho novo. Agora é vinho novo envelhecido. Fresquinho, ainda foi. Se não estivesse assim, gelado, não serviria para acompanhar a salada: deitava-se nela.
Adega Cooperativa Ponte da Barca - Tinto
O verde tinto é sempre uma experiência alternativa. Independentemente da temperatura, parece sempre fresco. Este é verdasco e tem adstringência total, com travo de uvas pouco maduras. Quanto à prova, pouco mais se lhe nota. É sempre um refresco (de 9,5% de teor alcoólico) para quem não quer beber vinho.
Encostas do Rabaçal, Touriga Franca 2002
Varietal da Adega Cooperativa de Valpaços, com 14% de teor alcoólico. Granuloso e vegetal. Parece ainda estar em evolução e, portanto, parece inacabado. Curiosamente, tem o traço mineral dos vinhos à antiga portuguesa.
terça-feira, julho 13, 2004
Comparativo Pilsener - Berliner versus Beck´s - A primeira é mais levezinha. A segunda parece mais acre e menos delicada, a revelar um travo mais bávaro que prussiano. Talvez esteja mais próxima do modelo checo (com origem em Plsen, remember ?). A Berliner é menos intensa e picante que a outra e talvez tenha mais gás. Ambas sao frescas (a Beck´s mais) e adequadas para esta altura do ano.
Comparativo Chimay
Para alguns, esta é a melhor cerveja belga. Para outros, é de facto boa, mas reparte o título com outros dois menmbros de um triunvirato também composto pela Leffe - mais cosmopolita e polida -, e pela Duvel - de que é mais fácil gostar e é a mais popular, na Bélgica (ao administrador do blog recorda-se que lhe assiste o direito - e mesmo que não assistisse, tem a possibilidade técnica -, de salvaguardar o bom gosto…).
Proposta Epicurista: degustar comparativamente as três gamas de Chimay produzidas pela abadia de Scourmont (uma das várias Trappiste).
A Chimay dita normal, ou Premiére, de rótulo vermelho escuro, tem 7º e cor suavemente escura. Quanto à Chimay Tripel, de rótulo branco, tem 8º graus e é a mais clara de todas, ligeiramente ambrée. Por último, a Chimay Grande Réserve, de rótulo azul, tem 9º e é escuríssima. Aquela que foi sujeita a prova era de 2004.
Na prova, todas elas têm um potentíssimo primeiro embate. Depois, apercebe-se a sofisticação e a subtileza. A cerveja é densa, consistente e tem uma complexidade de sabores quase inabarcável. Quanto às nuances, a Chimay Premiére é mais linear. É também a mais doce e (Gabriel Alves dixit) mais fácil de interpretar. A Tripel é mais suave e urbana. Quanto à Grande Réserve, vem das profundezas da Abadia. É mais picante e frutada que as restantes.
Bush Ambrée
A mais alcoolizada de todas as incontáveis cervejas belgas. Caramelizada e espessa. Tal como o seu homónimo, é poderosa (12 graus). Tal como o seu homónimo, é de produção caseira e familiar. Tal como … (don’t say it) … é rude e bruta. Apesar de tudo, vá lá saber-se porquê, seduz
Benjamin Sec Codorníu - Cava de grande consumo, carnudo e espesso, com travo de maçãs maduras. Aperitivo consistente, a acompanhar com fuet catalão.