Villas Boas Reserva 2019
Vinho de lavrador, intenso e
telúrico. Não se lhe peça mais
Z – 88
PV - 88
Azul de Ventozelo 2018
Anuncia incorporar touriga franca, tinta roriz e touriga nacional. Esperava-se, portanto um Douro, moderno, vigoroso, frutado e taninoso. Nada disso: é um vinho mais para o elegante e ligeiro, leve e descomprometido, para que não procura sofisticação nem grande complexidade (6,99 €). 84
Quinta das Corriças Branco 2019
Composto, delicado, suave,
polivalente. Fruta ligeira, em vinho discreto que suscita agrado. Mais frio,
vai melhor: a subida de temperatura mata-o. 87
Quinta das Corriças Reserva Tinto 2017
Vinho muito bom e bem feito,
revelando grande dignidade. Perfil solene e firme. Muita nobreza, embora discreta. 88
Verdelho Coleção Privada Domingos Soares Franco 2020
Pode dizer-se que é complexo qb, mas não será um vinho sofisticado ou exuberante. É mais do tipo flexível, consensual e todo-o-terreno. A sua grande marca é ser redondo e sem arestas, o que é pouco usual num verdelho, casta muito herbácea e agressiva. Fácil de beber e de conjugar com comida (9,99 €). 88
Pingo Doce Rosé Touriga Nacional 2020
Bela surpresa, este rosé muito equilibrado: nem doce, nem seco, com corpo elegante, com a frescura exigida pelo verão, mas sem a ligeireza que normalmente lhe vem associada. Fruta no ponto, em vinho discreto e que não procura protagonismo, mas que ocupa bem o seu lugar, por exemplo, com sushi. (4,99 €) 87 na gama rosés.
Quinta Nova Reserva Terroir Blend 2018
Douro que puxa os pergaminhos da tradição, mas que opta por um perfil mais moderno. É um vinho sereno e tranquilo, equilibrado e que mede bem a sua ambição. No final, para o fim da refeição, soltam-se os taninos e a adstringência, revelando um caráter mais agreste (16 €). 87
Passadouro Branco 2016
Com esta idade, este vinho já se enquadra no tipo de “branco velho”. Em todo o caso, apresenta uma enorme frescura, embora a fruta, típica dos brancos, esteja mais ausente. Como impressão geral, fica a de um vinho de agressividade moderada, mais a tender para o discreto. Acabou por ser boa companhia para umas ameijoas. 85
É interessante observar o percurso recente dos LBV que, em alternativa aos vintage, satisfazem muito aqueles que gostam de portos frutados, frescos, carnudos e joviais. No passado recente, apenas meia dúzia, dos disponíveis no mercado, cumpriam os “mínimos olímpicos”. O grosso do pelotão estava mais para o lado dos tawny, com marca muito vinosa e alcoólica. Este Barros, superou a prova e é um LBV muito bom. Com um pouco mais de corpo seria mesmo ótimo. (15,49 €) 89
Frei Gigante 2018
Este branco é feito das três castas mais características da ilha onde nasceu: Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico. Igualmente muito característico é o seu travo, sobretudo na primeira impressão: forte, marcado, afirmativo. Despois, espraia-se e conversa agradavelmente connosco com simpatia e frescura. (14,86 €) 87
Ameixâmbar Colheita Selecionada Arinto
dos Açores
Este vinho é uma experiência
exotérica: primeiro, junta uvas do Faial (das cinzas vulcânicas dos Capelinhos)
e do Pico (dos currais do Lajido da Criação Velha, onde a vinha está plantada
em bagacina e lava petrificada). Depois, junta colheitas de dois anos (2018 e
2019). Finalmente, é feito com Arinto dos Açores (juntamente com o Verdelho e o
Terrantez do Pico, as castas autóctones mais marcantes das ilhas). Na boca, tem
um sotaque marcadíssimo, mas igualmente, logo desde a primeira impressão, uma pronúncia
mais que nobre. Fresco, atlético, dinâmico, jovial, marítimo. É um vinho
superior, bom em qualquer parte do mundo (35€). 92
Terras de Lava Branco 2019
Tem sempre que ler-se os brancos
do Pico de forma muito específica: este, é vegetal, talvez mesmo herbáceo, e
pontiagudo como a lava e a bagacina. Também encorpado, o que é uma
característica que não se procura em brancos. Mas o Pico é terra de brancos,
que trazem consigo o calor da terra vulcânica onde nascem. Este, é um vinho
mais tradicional que moderno – não vai em modas. Mas vai muito bem. (8,30 €) 87
Beyra Tinto 2019 e Beyra Reserva Tinto 2018
Ambos, vinhos de grande categoria, compostos e muito bem feitos. O Reserva, naturalmente, mais delicado e polido, com muito mais consistência e densidade. O colheita 2019, notavelmente, num Douro tinto, já está pronto para beber. Ambos, em todo o caso, vinhos densos, estruturados, ricos e saborosos. Colheita 87; Reserva 89
Em prova cega será muito difícil distinguir estes dois vinhos, ambos compostos por Síria e Forno Cal. São ambos brancos vincados, com caráter marcado e personalidade forte. Na primeira abordagem, poucas palavras e alguma secura. Depois, revela-se uma grande estrutura. Vinhos sérios, mas, em todo o caso, muito específicos (5,49€ o Biológico e 5,99€ o Branco) ambos 87
Diálogo Douro 2019
É um vinho de iniciação. Quer dizer,
abre a porta a um enorme universo de vinhos Niepoort, de muito mais categoria.
Simples, de fácil abordagem. De corpo esguio, não se espere dele sofisticação
ou complexidade. É fugaz e irá bem com uma chouriça nas brasas, talvez. Uma
nota final: o que sobrou, para o dia seguinte, soube muito melhor. Portanto, a
beber-se já, este vinho precisa de arejamento, É natural, por ser muito jovem (6,63
€). 85
Herdade do Catapereiro Escolha tinto 2017
Regional Tejo, com mineralidade salgada, do estuário do rio, a temperar a modernidade e o enorme vigor das castas. Vinho consensual (3,69 €). 85
Embora se anuncie como monovarietal
(de crato branco que, dizem, é a equivalente algarvia da síria), este branco da
Praia do Carvoeiro é mitigado com arinto. Mostra-se um pouco acre. Apesar de
ser colhido próximo do mar, não evidencia frescura. Vale pela especificidade (9
€). 85
Este vinho moderno é o resultado
de uma combinação improvável de castas: verdelho, que lhe dá corpo, alvarinho,
que lhe acrescenta agressividade, e sauvignon blanc, que traz frescura incisiva.
O resultado final é agradável e polivalente. É mais para comida, mas na esplanada,
fresquinho, não desiludirá também. 85