sábado, novembro 14, 2009

10º ENCONTRO COM O VINHO
Junqueira, Lisboa
(breves notas de breves provas, em visita rápida ontem à noite)


Espumante Vértice Gouveio Bruto
Acidez explosiva. Ou então era das bolhas.
Z – 89
LP – 87
PV – 88




Espumante Vértice Rosé
Corpo cheio, mas com o perfil habitual nos rosés, um pouco macilento.
LP – 87
PV – 88

Espumante Vértice 2008
Amanteigado, como se fosse chardonnay.
Z – 88
LP – 88
PV – 87

Espumante Murganheira Malvasia-Fina Bruto
Muito vivo, de corpo gordo e travo amadeirado.
Z – 89
PV – 87

Verdelho Alorna 2009
Amostra de casco, mais mineral que vegetal, fugindo assim à regra na casta. Vigoroso. 86




Espumante Castas de Monção 2007
Bolhas muito potentes, a dominar a prova. Notas muito frescas.
LP – 85
PV – 86

Rebouça Espumante Alvarinho 2005
Toca e foge. Bom impacto, que a seguir desaparece.
86

Rebouça Alvarinho Grande Escolha 2008
Dominantíssimo travo vegetal, até um pouco exótico. É um alvarinho diferente. 87

Barranco Longo Grande Escolha 2008
Branco fresco e alegre. 86

Charme 2007 e Batuta 2007
Duas das grandes referências desta feira e do vinho do Douro. O Charme mais transparente e arejado, o outro mais corpulento e substancial.
Charme
LP – 94
Manel – 90/95
JBX – 94
PV – 92
Batuta
LP – 93
PV – 91
Passadouro Reserva 2007
Denso e potente. 90

Pintas Character 2007
Muito seco e acre.
LP – 89
PV – 89

Pintas 2007
Adstringência total, a rebolar pela boca fora estrondosamente.
LP – 94
PV – 92

Domingos Soares Franco Malbec 2009
Conceito diferente, de vinho produzido em maceração carbónica. Nada parecido com o Beaujolais. No nariz, doce de morangos. Na boca, frescura imensa e divertida. 83

Portal Late Harvest 2007
Doçura extrema, algo melada. Notas de líchia e maracujá. Vinho excelente, que é pena provar em contexto de feira e sem companhia de um foie-gras.
LP – 89
PV – 92


Burmester Vintage Porto 2007
Chocolate muito denso, explosivo de sabores. 93

Porto Silval Vintage 2007
Rico e equilibrado, mas de perfil mais discreto. 91





Quinta do Vale Meão Vintage Port 2007
Riqueza de sabores Muito vegetal 91








Dow’s Vintage Port 2007
O vintage mais equilibrado da feira (Z). Grande dimensão e equilíbrio. 94

sexta-feira, novembro 13, 2009


Colinas de São Lourenço 2008
De chardonnay (80%) e arinto (20%), este Bairrada branco é um vinho do novo mundo. No nariz, fruta exuberante. Na boca, um assumido perfil moderníssimo, com muita madeira e sabores citrinos muito adstringentes. O amanteigado do chardonnay não se nota, talvez cortado pela agudeza do arinto. Embora seja um vinho corpulento e másculo, não é nada gordo. Uma excelente surpresa, por se destacar claramente da mediania padronizada dos brancos portugueses. (4,59€) 90
Paço dos Alcaides de Arraiolos Reserva 2007
Tinto feito de aragonês e trincadeira. No nariz, algo de suor de cavalo. Na boca, imensa frescura e alguma fruta. Apresenta-se compostinho e algo agressivo. Foi muito bem, com comida e sem ela. (2,89 €). 85

Paço dos Alcaides de Arraiolos Reserva 2006
A combinação de castas (trincadeira com Alicante-Bouschet) fazia esperar algo difícil, com casca muito grossa. E na verdade nem a idade chega para limar alguma rudeza de carácter e grosseria no travo deste vinho. (2,89 €) 80

quinta-feira, novembro 05, 2009


Coudel-Mor 2008
Da Adega do Cartaxo. A prova não foi nas melhores condições, em feira. Mas este vinho novo já se revelou vigoroso e seguro, com a fruta bem estruturada e rica. Na boca, é muito composto. Está pronto a beber. 87

Boa Memória 2006 tinto
Da série dos reis, do Monte dos Seis Reis. Corpulento e agressivo, mas pouco polido. No nariz é vinoso. No travo é melhor: enche a boca, deixando atrás de si força ainda pouco domada, apesar da idade (4,99 €). 84

Fiúza Três Castas tinto 2008
Vinho jovem, com grande frescura. Pronto a beber, denota alguma intensidade. Na boca, dá alguma luta. Melhorará se for acompanhado com comida. (3,99€) 85

terça-feira, novembro 03, 2009


Confradeiro Reserva 2000
Deste tinto do Douro já não se faz. Vem à antiga, com perfil ainda mineralizado, muito tradicional. Apesar disso, mostra-se incisivo e altivo. Como vinho velho, para quem aprecie o género, está óptimo. 87

Quinta de Santa Bárbara Porto LBV 2000
Quem disse que os LBV se passam ao sétimo ou oitavo ano? Quem disse que não evoluem bem em garrafa? Este não filtrado é bem melhor que muitos dos Vintage do mercado, sobretudo de anos mais recentes. É denso, espesso, consistente e muito rico no travo. 90
Vila Santa
Potente, poderoso, corpulento e rico. Na boca, arrasta-se, deixando sabores vigorosos. Fez excelente companhia a um borrego no forno. (9,99 €) 88

domingo, novembro 01, 2009


D. Salvador Alvarinho 2008
Saboroso e adocicado. Corpo discreto mas bem proporcionado. Quanto a corpo, não lhe falta nada e tem tudo no sítio. Talvez fique curto de adstringência e vigor. 88

quarta-feira, outubro 28, 2009

Dois Quintas de Melgaço

Torre de Menagem Alvarinho/Trajadura 2008
No aroma, fruta fresca. Na boca, é fresco e vivinho. Picos gasosos bem presentes que lhe dão alegria e agilidade. É muito leve e saltitante. Boa relação preço qualidade, dentro do género (2,99 €) 84


Selecção de Enófilos Verde 2008
Branco ligeirinho, levezinho, fresquinho. Discretas bolhas, a prestarem-lhe vivacidade. Bebida de fim de tarde, para fazer horas para o jantar e ir matando a sede. E mais não se lhe peça (1,9€) 81

terça-feira, outubro 27, 2009


Prosecco Sopralerighe de Conegliano
Espumante italiano de bolhas vivinhas. Paradoxalmente, apenas da casta prosecco, que lhe dá o nome, é meio seco. No travo, delicadeza e subtileza. Vinho de aperitivo, que não aguentará comida. 82

Rémole 2007
Tinto de Indicazione Geográfica Típica da Toscana. Quase todo feito com a típica italiana sangiovese, embora com “una piccola quantitá di cabernet”. Discreto e até descomprometido. É tão suave que se bebe sem se dar por ele. Apesar disso, se se reparar nele, tem algum carácter. 85

Parentini Chianti 2007
Tinto italiano jovem e frívolo. Não desagrada, mas também não impressiona. Se calhar, este é o perfil habitual do Chianti: fácil de beber, a tender para o superficial. Em suma, para turistas, que procuram o que beber na Toscana. 84

Castelli Romani Bernardi
Tinto da DOC italiana Castelo Romani. É fresco e vivo, simples e despretensioso. Vinho de self-service popular. De grande produção, concerteza. Não foi o protagonista da refeição, mas foi boa companhia para um carpaccio e uma pasta com legumes. 83

Conti Dagostino Ribolla Gialla 2008
Italiano da casa Conti Dagostino, do Veneto. Exclusivamente da casta branca ribolla gialla. No nariz é excelente. Fruta abundantíssima. Citrinos e fortes notas de maracujá. Na boca, mais seco e modesto. Mas vigoroso. 86

domingo, outubro 18, 2009

Portal Porto Vintage 2007
Há muito que o enólogo Paulo Coutinho o tinha anunciado. Está a chegar ao mercado. Sem qualquer reserva, é um vintage excelente, de corpo inteiro. Está melhor que a versão 2005 e estará melhor que a de 2004. Quase ao nível de 2003, faltando-lhe todavia um pouco mais de pujança (Z) e de corpo, para atingir a excelência de 2003 (sobretudo a do 2003+). No aroma, é vegetal. Notas de violetas (LP). No travo, é surpreendentemente delicado e muito equilibrado (Z). Regista-se a boa evolução em adega: ao contrário do que acontecia quando aqui se provou a amostra de casco, há nove meses, está pronto e é para beber já.
Z – 90/91
LP – (provisoriamente, 91)
CARPA – 93
JBX – 93
PV – 92

sábado, outubro 17, 2009


Chaminé Branco 2008
Deixa a boca cheia. É macio e muito guloso, ficando a impressão de ser muito compostinho. Não puxa à sofisticação nem à frescura. Mas é um branco excelente, que privilegia os sabores das castas, não alinhando nas tendências modernas, de amadeirar os brancos. (5,69 €) 88

quinta-feira, outubro 15, 2009


Fiúza Três Castas Branco 2008
Fresco e denso, de travo muito rico e complexo. Enche a boca. Grande equilíbrio, embora tenha um certo perfil selvagem. Bom casamento das castas. (3,29) 85

segunda-feira, outubro 12, 2009


Tavedo Douro 2007
Tinto de grande circulação da Sogevinus. Fresco e saboroso, com notas de fruta madura, abaunilhada. Perfil moderno em roupagem antiga: tem corpo e personalidade vincada, mas não exagera no álcool nem na concentração, optando por uma passagem ligeira na boca. Vai melhor refrigerado (3,49) 82

quinta-feira, outubro 08, 2009

Merlot Inkerman 2007
No tempo dos soviéticos o vinho da Crimeia tinha fama por todo o império – em particular o espumante, usado pelos comunistas como alternativa ao champagne para baptizar navios e situações similares. Este merlot também é da Crimeia, mas apresentou-se demasiado ácido e leviano, sem notas de prova que mereçam realce interessante. Acabou por ser melhor continuar a refeição com vodka. 70
Chernigivske, a cerveja de Chernigov, Ucrânia.
Premium
Ligeira e fresquita. Travo áspero no primeiro impacto, que depois se atenua, embora deixe na boca um rasto amargo. 81

Bine (branca)
É uma imitação do estilo weiss, revelando uma grande texturada. Muito mais adocicada que as congéneres alemãs ou belgas. No travo, algo de farinha de cereais. Curiosamente, também citrinos e porventura lichias. 80

Obolon
Outra ucraniana, a mais delicada de todas e, talvez, com mais perfil internacional. Suave e menos esforçada. O perfil seco faz com que vá bem com comida. 83

quarta-feira, outubro 07, 2009

Mais duas Ucranianas
Lvivske 1715
e Slavutich
A de Lviv, segunda cidade do país, é viva e corpulenta, enche a boca. Mas é um pouco seca e rude. É uma cerveja eslava por excelência. 81
A Slavutich, de Kiev, a capital, é mais polida, mas não deixa de ser seca. Já passou aqui, mas no entretanto a avaliação melhorou. 82

Tormes 2008
Vinho verde, de inspiração queirosiana. Mas ao contrário de Eça, é aquoso e muito discreto. Tem reduzida substância e complexidade baixa. Talvez vá bem com saladas light. 80

Frontera Chardonnay 2008
A época das feiras de vinhos traz surpresas destas. Do Chile, este é um Concha y Toro de excelente corpo. Elegante e esbelto, que se deixa beber muito bem. Acidez no ponto, a anular muito bem a gordura tradicional da casta. Grande equilíbrio. É um vinho de perfil internacional que fica bem em qualquer copo. (3,99€) 90

quarta-feira, setembro 30, 2009


Kopke Porto Vintage 2007
É uma prova em primeira mão, de um vinho que acaba de chegar ao mercado. Como Vintage, cumpre os mínimos olímpicos, mas não vai mais longe que isso: na prova, é demasiado simples e fácil. Travo pouco generoso, a deixar impressão modesta. Globalmente, é curto. (34 €) 86

sábado, setembro 26, 2009


Cadouços Natur 2007
Ribatejano, tinto, de cultura biológica. Apresenta-se rude, a tender para o grosseiro, com os taninos a dar o tom e a obnubilar tudo o mais que pudesse vir. No fim, um ligeiro travo acídulo, pouco agradável. 75
Secua Chardonnay Dulce 2007
Colheita tardia de Tarancón, Cuenca. Sobressai o perfil vegetal do chardonnay, cujo amanteigado, porém, se eclipsou para dar lugar a um travo docinho, que deve ser apreciado a muito baixa temperatura. O resultado é um doce herbáceo, com uma ponta de agressividade, ao qual faltaria um pouco mais de sofisticação para concorrer com os melhores colheitas tardias. 87

Tierra de Sabor Tinto Crianza 2006
Ribera del Duero de baixa gama. Aroma e travo de vinho velho, de adega tradicional. Muito acre, talvez a revelar o que lhe foi posto, para anular uma deficiente matéria-prima. Não é um vinho interessante. 78

segunda-feira, setembro 21, 2009


Castiço Vinho Frisante da Bairrada
A um frisante pede-se que tenha frescura e alguma doçura, sem que perca vigor. No fundo, espera-se que seja uma espécie de “vin fatal”, a que não pode resistir-se, bem sabendo que esta fraqueza dará mau resultado na manhã seguinte. Este Castiço é seco e acre. Já tem servido, na Mealhada, para acompanhar leitão. Mas pouco difere de um branco corrente e vulgar ao qual se acrescentou gás. (1,68 €) 75

domingo, setembro 20, 2009


Oblisco
O nome está mesmo assim, no rótulo. Parece que vem de Espanha, mas não se sabe nada mais. “Será vinho, será gente? Vinho não é certamente...”. Zurrapa, que no travo não arrepia, mas também não agrada. (0,99 €) 50

sábado, setembro 19, 2009


Keo
Cerveja de Chipre. É mesmo “A” cerveja local, já que as outras que se vendem no país correspondem a marcas mundiais, produzidas localmente. No travo, é seca, ligeiramente acre, com suave travo cerealado. Vai bem, em esplanadas, em dias de calor. 83

Castello d’Alba tinto Reserva 2006
Douro consistente e o composto. No travo, é delicado e sedoso, mas manifesta suficiente vigor. Surpreende pela qualidade. É uma agradável surpresa, aliás. (4,99) 88

Louis Eschenauer Merlot 2007
Francês, do Pays d’Oc, a apelar ao perfil parkeriano. Fruta muito fresca e intensa, a encher a boca, mas sem rudeza. Delicado, mas pouco denso. A impressão esvai-se depressa. Leviano, apesar dos 13,5%. 86

quarta-feira, setembro 09, 2009


Prosa Douro Reserva 2006
Tinto vinoso e algo ácido. Notas fortes de fruta, muito espessa e pouco delicada. (4,69 €). 80